Sorgo acelera e consolida nova fase de expansão no Brasil
Produção de sorgo no Brasil deve mais que dobrar em cinco anos e atingir 6,9 milhões de toneladas na safra 2025/26, aponta relatório do Itaú BBA
A produção de sorgo no Brasil deve mais que dobrar em um intervalo de cinco anos e atingir 6,9 milhões de toneladas na safra 2025/26, consolidando uma nova fase de expansão da cultura no país. A projeção faz parte do Radar Agro, material produzido pela Consultoria Agro do Itaú BBA, e reforça que o cereal vem deixando de ocupar um espaço secundário no campo para ganhar relevância crescente dentro da segunda safra e também no mercado agroindustrial.
O avanço da produção reflete uma mudança estrutural no posicionamento do sorgo dentro do agronegócio brasileiro. Historicamente visto como alternativa pontual em áreas mais secas ou em situações de maior risco para o milho safrinha, o cereal passa agora a reunir fatores que sustentam sua expansão de forma mais consistente. Entre eles estão a maior tolerância ao estresse hídrico, o menor custo de produção em comparação com o milho em algumas regiões e a ampliação da demanda por parte da indústria e da pecuária.
Segundo o relatório, esse crescimento não está relacionado apenas à substituição parcial do milho em áreas de maior risco climático, mas também à consolidação de um mercado mais robusto para o sorgo. O cereal segue com forte presença na formulação de rações para aves, suínos e bovinos confinados, ao mesmo tempo em que passa a ganhar espaço em novas frentes, como a produção de etanol, especialmente em regiões do Centro-Norte e do Matopiba. Esse movimento amplia a base de consumo e fortalece a previsibilidade de comercialização para o produtor.
Outro ponto que reforça a trajetória de crescimento é o cenário externo. O Radar Agro destaca que a China deve responder por 82% das importações globais de sorgo em 2025/26, com volume estimado em 7,6 milhões de toneladas. Para o Brasil, isso abre uma oportunidade importante de ampliar presença no comércio internacional, especialmente após o acordo firmado em 2025 que simplificou as exportações do cereal para o mercado chinês. A combinação entre demanda doméstica e potencial exportador ajuda a sustentar uma perspectiva mais favorável para a cultura nos próximos anos.
Na prática, a projeção de uma safra de 6,9 milhões de toneladas sinaliza que o sorgo passa a ocupar um espaço cada vez mais estratégico dentro do planejamento agrícola brasileiro. Mais do que uma cultura de oportunidade, o cereal ganha status de alternativa estruturada, com função relevante na gestão de risco da segunda safra, no abastecimento da indústria e na diversificação das opções de renda no campo. O avanço da produção, portanto, reforça que o sorgo vive um momento de consolidação e tende a ampliar ainda mais sua importância no agro nacional.