Logística pesa e mercado da soja perde força em MT
Com a colheita praticamente encerrada, estado concentra esforços no escoamento da safra e vê frete rodoviário influenciar diretamente a formação de preços
O mercado físico da soja em Mato Grosso abriu a semana sob pressão, com viés de baixa nas principais praças monitoradas e o custo do diesel como principal fator de influência sobre a formação dos preços. Com a colheita praticamente encerrada, o foco do estado passa a ser totalmente a logística de escoamento, em um momento em que o frete rodoviário volta a pesar sobre a rentabilidade do produtor.
De acordo com informações da TF Agroeconômica, o Mato Grosso vive uma fase de transição entre o fim dos trabalhos de campo e a necessidade de escoar o maior volume de soja do país. Nesse cenário, as cotações passam a refletir principalmente a disputa entre tradings, que buscam originar grãos para exportação, e as esmagadoras estaduais voltadas ao biodiesel. Ainda assim, o peso do frete rodoviário segue como principal limitador para preços mais firmes no interior.
O boletim destaca que Rondonópolis sustenta a cotação mais elevada do estado por sua posição logística mais favorável em relação aos portos do Sul e Sudeste, enquanto regiões como Sorriso e Canarana seguem mais penalizadas pela distância e pelo custo crescente do transporte. Essa diferença reforça um cenário já conhecido no Mato Grosso: quanto mais distante dos corredores de exportação, maior a pressão sobre o valor recebido pelo produtor.
Entre as referências do dia, Campo Verde foi cotado a R$ 109,00 por saca, Lucas do Rio Verde a R$ 103,20, Nova Mutum a R$ 103,60, Primavera do Leste a R$ 109,40, Rondonópolis a R$ 111,00 e Sorriso a R$ 102,80. Apesar de algumas variações pontuais positivas, o quadro geral segue marcado por pressão logística e dificuldade de valorização mais consistente.
Outro ponto de atenção é a armazenagem. O boletim daTF Agroeconômicaressalta que o déficit estrutural no estado permite estocar apenas cerca de metade do volume produzido, o que mantém forte pressão por escoamento imediato. Na prática, isso reduz a capacidade de retenção do produtor e enfraquece estratégias comerciais de espera por melhores preços, obrigando parte do mercado a aceitar as condições impostas pela conjuntura logística.
Para o produtor mato-grossense, o cenário é claro: mesmo com uma safra volumosa e demanda da indústria de biodiesel ajudando a dar sustentação mínima às cotações, o frete elevado e a limitação de armazenagem continuam sendo os principais vilões da rentabilidade neste momento.