Inflação alta e juros elevados mantêm pressão sobre o agro
Boletim eleva projeções de inflação para 2026, enquanto Selic segue alta e dólar permanece estável, mantendo pressão sobre custos e margens no agronegócio
A atualização dos fundamentos econômicos divulgada pela TF Agroeconômica reforça um ambiente ainda desafiador para o agronegócio brasileiro. O novo Relatório Focus aponta alta nas projeções de inflação, manutenção dos juros em patamar elevado e estabilidade do câmbio, combinação que mantém pressionados os custos de produção e a rentabilidade no campo.
Segundo o levantamento, a projeção para o IPCA de 2026 subiu para 4,31%, enquanto a estimativa para 2027 avançou para 3,84%. No curto prazo, as medianas mais recentes indicam inflação de 0,46% em março, 0,46% em abril e 0,31% em maio, com acumulado em 12 meses de 4,10%. O IGP-M também teve revisão para cima, com previsão de 3,46% em 2026, reforçando a percepção de que a pressão inflacionária segue presente no curto prazo.
No crédito, a expectativa para a taxa Selic ao fim de 2026 foi mantida em 12,50% ao ano, um nível ainda elevado para a realidade do produtor rural e das agroindústrias. Para 2027, a projeção segue em 10,50%, o que indica que o custo financeiro deve continuar alto por um período prolongado, afetando desde operações de custeio até investimentos em armazenagem, renovação de frota e ampliação industrial.
Já o câmbio continua em um patamar que, embora estável, ainda pesa sobre os insumos dolarizados. A projeção para o dólar em 2026 permanece em R$ 5,40, com expectativa de R$ 5,45 em 2027. Para o agro, isso significa continuidade da pressão sobre fertilizantes, defensivos, combustíveis, peças e fretes, mesmo sem grandes oscilações cambiais no curto prazo.
No caso do trigo, esse ambiente macroeconômico afeta diretamente toda a cadeia. Com matéria-prima, frete e embalagens mais caros, a indústria de moagem enfrenta dificuldade para repassar aumentos ao mercado final, enquanto o produtor acompanha um cenário em que os custos seguem altos e a gestão comercial se torna ainda mais estratégica. O boletim mostra, assim, que a economia segue sendo um fator central para a formação de preços e para as margens do agronegócio nas próximas semanas.