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Farinha de trigo deve subir em SP, alerta Sindustrigo

Foto do autor Jair Reinaldo
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Farinha de trigo deve subir em SP, alerta Sindustrigo
Alta do diesel, pressão tributária e incertezas globais colocam a cadeia do trigo em alerta em São Paulo.

Sindicato aponta que fretes mais caros, mudanças tributárias e incertezas sobre a oferta global do cereal devem elevar os custos da cadeia do trigo no estado

A indústria do trigo de São Paulo entrou em alerta para uma possível elevação nos preços da farinha já a partir de abril. O aviso foi feito pelo Sindicato da Indústria do Trigo do Estado de São Paulo (Sindustrigo), que aponta uma combinação de fatores pressionando a cadeia do cereal, entre eles a forte alta do diesel, o encarecimento dos fretes, mudanças tributárias e o cenário de incerteza no mercado internacional.

Segundo a entidade, o recente avanço nos preços dos combustíveis já começou a impactar diretamente o transporte de trigo e de farinha de trigo, elevando os custos logísticos em um momento de volatilidade nas commodities agrícolas. O efeito, de acordo com o sindicato, tende a ser sentido em toda a cadeia, da aquisição da matéria-prima ao produto final entregue ao consumidor.

Alta do diesel e fretes já pressiona os moinhos

De acordo com o Sindustrigo, a disparada do diesel já provocou reflexos imediatos no custo dos fretes, o que pressiona a operação dos moinhos paulistas. Como o transporte é uma etapa central no abastecimento do trigo e na distribuição da farinha, qualquer elevação nos combustíveis tende a ter efeito direto sobre a formação dos preços no estado.

Além da logística, o setor também acompanha a valorização das commodities nas bolsas e nos mercados físicos, tanto no Brasil quanto no exterior. Em um ambiente de incertezas geopolíticas e de pressão sobre os custos de produção, a indústria avalia que o repasse se torna cada vez mais difícil de evitar.

Conflito internacional amplia preocupação com fertilizantes e oferta

Outro ponto de preocupação destacado pelo sindicato é o cenário internacional. Segundo o presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri, o conflito entre Estados Unidos e Irã, além de inflacionar os preços dos combustíveis, também ameaça a disponibilidade de fertilizantes, o que pode afetar a produção agrícola de forma mais ampla.

Na avaliação da entidade, esse quadro pode agravar a disponibilidade futura de trigo em São Paulo, especialmente diante da sinalização de redução da safra 2026/27. O setor já observa intenção de produtores em reduzir a área plantada no próximo ciclo, conforme apontado na reunião de março da Câmara Setorial do Trigo do estado.

Esse movimento preocupa a indústria porque, com menor área e possíveis restrições de insumos, a oferta interna pode ficar ainda mais apertada em um momento de maior dependência de custos elevados e de um mercado global volátil.

Mudança tributária entra em vigor e aumenta pressão

O setor também cita a entrada em vigor da Lei Complementar nº 224/2025 como um novo fator de pressão sobre os custos dos moinhos nacionais. A partir de 1º de abril, a legislação reduz o crédito presumido de 3,23% para 2,91% e ainda impõe 1,175% de PIS/Cofins sobre trigo importado, sem o correspondente creditamento.

Na prática, a avaliação do Sindustrigo é de que a medida encarece a aquisição da matéria-prima e amplia a pressão sobre a competitividade da indústria instalada em São Paulo. Embora especialistas tributários apontem possibilidade de questionamento sobre a constitucionalidade da mudança, o sindicato ressalta que não há tempo hábil para evitar os efeitos imediatos da nova regra.

Setor cobra equilíbrio na competição entre estados

O presidente da entidade também chama atenção para o que classifica como uma guerra fiscal no setor, causada por desequilíbrios tributários que acabam favorecendo moinhos de trigo instalados em outras unidades da federação. Segundo ele, a entidade já levou as demandas ao governo paulista em busca de alternativas que possam equilibrar a concorrência interestadual e preservar a competitividade da indústria local.

A preocupação do setor é evitar que o ambiente tributário e logístico torne ainda mais difícil a operação dos moinhos paulistas, o que poderia intensificar o repasse de custos ao consumidor final e reduzir a capacidade de resposta da cadeia em momentos de maior volatilidade.

Mercado internacional também eleva tensão sobre o trigo

No exterior, o cenário também segue desfavorável. O trigo na Bolsa de Chicago já vinha reagindo a informações sobre seca nas lavouras americanas, enquanto o mercado global começa a sinalizar possível queda de produção na safra mundial 2026/27.

Mesmo a safra argentina 2025/26, projetada em recorde de 29,5 milhões de toneladas, aparece no radar com ressalvas. Segundo o Sindustrigo, a qualidade do trigo argentino é considerada inferior, o que gera preocupação entre moinhos brasileiros e até mesmo entre os próprios argentinos, uma vez que a disponibilidade de volume não necessariamente se traduz em matéria-prima adequada para a moagem.

Cadeia do trigo entra em abril sob pressão

Diante desse conjunto de fatores, o sindicato reforça a necessidade de diálogo entre governo, indústria, produtores e consumidores para mitigar os impactos da alta nos preços da farinha de trigo em São Paulo. Para a entidade, a estabilidade da cadeia depende de políticas públicas alinhadas e de uma visão de longo prazo que preserve o equilíbrio entre competitividade industrial, abastecimento e remuneração do setor produtivo.

Com fretes mais caros, pressão tributária adicional e um mercado global mais incerto, abril começa com um sinal claro para a cadeia do trigo: a tendência é de custos mais altos e maior dificuldade para evitar reajustes no mercado paulista.