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Guerra pressiona custos e deve elevar preços de ovos e frango

Foto do autor Jair Reinaldo
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Guerra pressiona custos e deve elevar preços de ovos e frango
Alta do diesel, frete e embalagens pressiona a cadeia de proteínas e pode encarecer ovos e carne de frango no Brasil.

Com petróleo acima de US$ 100 e avanço dos custos logísticos, setor de proteína animal já vê dificuldade para absorver despesas e admite repasses ao consumidor

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a afetar diretamente a cadeia brasileira de proteína animal, e a avaliação do setor é de que a alta nos preços de ovos e carne de frango deve se tornar inevitável. A análise é da TF Agroeconômica, com base em declaração do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

Segundo a consultoria, o principal gatilho para esse movimento é o encarecimento dos combustíveis, impulsionado pelo cenário geopolítico e pela alta do petróleo, que voltou a superar os US$ 100 por barril. No Brasil, isso já se reflete em aumento nos custos do diesel e da gasolina, o que impacta diretamente o transporte de insumos, ração, animais, ovos, carne processada e distribuição ao varejo.

A TF Agroeconômica destaca que o diesel já é um dos principais componentes de custo da logística agroindustrial no país. Como o transporte rodoviário responde por grande parte da movimentação de cargas no Brasil, qualquer elevação nos combustíveis gera efeito em cadeia sobre fretes, armazenagem e distribuição. Na prática, isso atinge toda a cadeia de proteínas, especialmente setores que operam com margens mais apertadas e alta dependência de giro.

Além do frete, outros insumos também entraram na rota de alta. A análise aponta que embalagens plásticas derivadas do petróleo já registram aumentos entre 20% e 30%, o que adiciona mais pressão ao custo final dos produtos. Em um ambiente de margens comprimidas, a capacidade de absorção pelas empresas diminui, reforçando a necessidade de repasse ao consumidor.

No caso dos ovos, o cenário se soma a uma demanda sazonal mais aquecida, típica do período de Quaresma, quando parte dos consumidores substitui carnes vermelhas por proteínas alternativas. Isso ajuda a explicar a maior sensibilidade do produto a reajustes. Já no frango, o impacto tende a vir principalmente pela elevação dos custos de produção, logística e embalagens, além das incertezas no comércio exterior.

Mesmo com dificuldades logísticas e aumento expressivo dos fretes marítimos, o setor ainda consegue manter os embarques próximos dos níveis anteriores, buscando rotas alternativas e ajustes operacionais. Ainda assim, a sinalização da ABPA é clara: com custos subindo em vários elos da cadeia, o repasse aos preços finais tende a acontecer, ainda que em ritmos diferentes conforme a região e a empresa.

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