Etanol e China impulsionam nova fase do sorgo no Brasil
Sorgo ganha força no Brasil com avanço do etanol, demanda por ração e abertura de oportunidades de exportação para a China
O avanço do sorgo no Brasil não está ligado apenas à busca do produtor por uma alternativa ao milho safrinha em áreas de maior risco climático. De acordo com o Radar Agro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, a cultura vive uma nova fase impulsionada por uma demanda mais robusta e diversificada, que inclui ração animal, produção de etanol e novas oportunidades no mercado externo, especialmente com a China.
Tradicionalmente associado ao consumo em rações para aves, suínos e bovinos confinados, o sorgo passou a ganhar espaço em outros segmentos e ampliou sua relevância dentro da cadeia agroindustrial. O relatório aponta que a expansão da cultura tem sido favorecida por uma base de consumo mais sólida, o que ajuda a reduzir a percepção de que se trata apenas de uma opção circunstancial de segunda safra.
Um dos principais vetores desse novo momento é o avanço do etanol de sorgo. O estudo mostra que o cereal vem se tornando matéria-prima importante para usinas, principalmente no Centro-Norte do país e na região do Matopiba, onde o crescimento da indústria amplia a capacidade de absorção da produção e fortalece a previsibilidade de mercado para o produtor. Com isso, o sorgo passa a contar com uma nova frente de demanda além da alimentação animal, o que contribui para sustentar sua expansão nos próximos anos.
No cenário externo, a China aparece como um dos principais gatilhos para o desenvolvimento do mercado. O Radar Agro destaca que o país asiático deve responder por 82% das importações globais de sorgo em 2025/26, com um volume estimado em 7,6 milhões de toneladas. Esse dado reforça o potencial de crescimento das exportações brasileiras, especialmente após o acordo firmado em 2025 que simplificou o processo de embarque do cereal para o mercado chinês.
A combinação entre demanda interna aquecida e novas oportunidades externas tende a dar mais sustentação ao avanço da cultura no Brasil. Para o produtor, isso significa uma alternativa com maior previsibilidade comercial, menos dependente de um único canal de escoamento e com melhores perspectivas de valorização no médio e longo prazo. Em vez de ser apenas uma cultura de oportunidade, o sorgo passa a ganhar status de commodity com mercado em expansão e espaço crescente dentro do planejamento agrícola nacional.