A importação brasileira de filé de tilápia originária do Vietnã cresceu 3,5 vezes entre janeiro e agosto de 2026, saltando de 1.407 toneladas para 4.892 toneladas, segundo levantamento do Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura da Embrapa Pesca e Aquicultura. A escalada do produto asiático no mercado interno acendeu o sinal de alerta entre os criadores nacionais, gerando mobilização institucional de entidades de classe representativas dos principais polos aquícolas do país.
A Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP) uniu forças à Associação Catarinense de Aquicultura (ACAq), Associação Mineira de Aquicultura (Peixe MG), Associação dos Aquicultores de Mato Grosso (Aquamat) e Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) para frear a entrada do produto externo. Em ofício conjunto endereçado ao ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, o grupo cobra articulação governamental direta com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e com a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para fixar uma cota máxima de importação equivalente a 5% do volume de filé de tilápia consumido no país.
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A secretária-executiva da Peixe SP, Marilsa Patrício Fernandes, destaca a gravidade do cenário para a base produtiva:
"Essa importação é predatória e está tirando emprego e renda dos produtores brasileiros – especialmente os pequenos e médios. A piscicultura corre sério risco de colapso se não for tomada medida eficaz contra a importação. Nos últimos anos, a tilápia foi a proteína animal que mais cresceu em produção no país, mas está em risco. O Brasil tornou-se o maior produtor de frangos e um dos maiores de carne suína e tem tudo para assumir relevância ainda maior na tilápia. Mas o setor precisa de proteção. Veja o caso do leite, que sofre tremendamente com a entrada de produto subsidiado via Mercosul."
Além da instituição de cotas volumétricas, os aquicultores reivindicam o endurecimento imediato da fiscalização aduaneira e da defesa sanitária. O setor exige auditorias mais severas quanto ao padrão de identidade e qualidade (PIQ), monitoramento do índice de glazing (adicional de água na camada congelada que encobre o pescado) e verificação das conformidades socioambientais dos frigoríficos asiáticos, com o objetivo de coibir fraudes comerciais e concorrência desleal.
O avanço vietnamita já posiciona a tilápia como a terceira espécie de peixe mais importada pelo Brasil, atrás apenas do salmão chileno e do pangasius asiático. O choque de oferta no mercado interno coincide com um revés relevante no comércio exterior da proteína nacional: as exportações brasileiras de filé de tilápia para os Estados Unidos despencaram de 6.893 toneladas no primeiro semestre de 2025 para 2.778 toneladas no mesmo intervalo de 2026, reduzindo as alternativas de escoamento dos frigoríficos nacionais.
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