O mercado de café arábica encerrou o mês de outubro pautado por intensa volatilidade tanto nas praças físicas do Brasil quanto nos contratos negociados na Bolsa de Nova York (ICE Futures). De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a gangorra nas cotações foi reflexo de uma disputa direta entre fundamentos de oferta de curto e médio prazo, oscilações climáticas e a movimentação cambial.
Em determinados momentos do mês, o mercado trabalhou sob pressão de baixa. O principal fundamento foi o retorno consistente das precipitações sobre o cinturão cafeeiro brasileiro, que favoreceu a abertura e o desenvolvimento das floradas da safra futura (ciclo 2027/28). Além do alívio hídrico no campo, o ritmo aquecido dos embarques nacionais aos portos globais contribuiu para momentos de retração nos valores.
Efeito do silício reduz em 63,2% a mancha de olho pardo no café
Dólar valorizado segura cotações do café arábica e robusta no país
Fatores de suporte: Colômbia, estoques e El Niño
Em contrapartida, forças altistas atuaram para recompor os preços ao longo de outubro. Analistas do Cepea apontam que a cautela dos agentes de mercado em relação aos efeitos do fenômeno El Niño sobre o potencial produtivo da cafeicultura brasileira manteve o suporte às cotações internacionais.
O cenário externo também ofereceu sustentação: relatórios apontando redução na produção cafeeira da Colômbia — segundo maior produtor global de arábica — e o ritmo lento de reposição dos estoques certificados nos armazéns credenciados pela ICE Futures limitaram recuos mais expressivos em Nova York.
No encerramento de outubro, a forte valorização do dólar frente ao real exerceu influência direta nas negociações internas, dando fôlego às cotações em moeda corrente e mantendo os preços médios domésticos do café arábica em patamares de estabilidade na comparação entre o início e o fechamento do período.
