O controle do carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus), um dos maiores drenos de rentabilidade da pecuária de corte brasileira, ganha uma ferramenta estrutural baseada em biotecnologia. Pesquisas de melhoramento genético conduzidas pela Embrapa Pecuária Sul comprovam que a seleção de animais naturalmente resistentes ao parasita é capaz de reduzir custos de manejo sanitário e amenizar o impacto da multirresistência dos carrapatos aos defensivos químicos tradicionais.
A tecnologia, desenvolvida ao longo de 17 anos em parceria com universidades e associações de criadores, já está disponível para as raças Angus, Hereford, Braford e Brangus. Os detalhes práticos da ferramenta serão apresentados pelo médico-veterinário e pesquisador da Embrapa Fernando Cardoso no dia 13 de outubro, durante a programação da Farm Show 2026, em Dom Pedrito (RS).
Mapa reconhece oficialmente o Bravon como raça de corte
Qualidade da água define ganho de peso do gado no pasto
Bloqueio europeu à carne acelera busca por nutrição natural
Segundo Cardoso, o agravamento da perda de eficácia das moléculas comerciais exige a transição de um modelo meramente reativo para uma estratégia preventiva e hereditária:
"A gente vai fazer uma contextualização do problema do carrapato em termos de impactos econômicos, tanto aqui no Brasil como no mundo, na questão da multirresistência do carrapato aos ectoparasitas. Vamos apresentar como foi desenvolvido o trabalho, como foi validado e qual o impacto prático disso, mostrando como os produtores que usarem a melhoria genética podem atingir uma solução duradoura", destaca o pesquisador.
Genômica aplicada na pista: critério de compra em remates
A grande virada operacional da pesquisa está na facilidade de acesso aos dados pelos pecuaristas. Em vez de depender exclusivamente de banhos carrapaticidas frequentes após a instalação das infestações — o que encarece a mão de obra e eleva o estresse no curral —, o produtor passa a usar marcadores genômicos na hora de adquirir matrizes e reprodutores.
As características de resistência ao parasita já foram integradas e chanceladas nos principais sumários de touros e catálogos oficiais de leilões das raças contempladas:
"Mostraremos onde eles encontram as informações para acessar touros mais resistentes ao carrapato, seja nos catálogos de remates ou nos sumários de touros. Faremos isso no contexto focado em uma linguagem de produtor, mas trazendo as evidências científicas acumuladas no decorrer desse período de pesquisa", reforça Cardoso.
A incorporação desse parâmetro nos índices de seleção permite fixar a tolerância imunológica no rebanho de geração em geração, mantendo o ganho de peso, a precocidade de terminação e a conversão alimentar sem comprometer o equilíbrio sanitário das pastagens.
