A regularização do padrão de precipitações na maior parte dos cinturões cafeeiros do Brasil deu a largada para o manejo nutricional nos pomares voltados à safra 2027/28. Essa etapa fundamental do ciclo vegetativo, contudo, ocorre sob um ambiente financeiro desfavorável dentro da porteira: o poder de compra do cafeicultor frente aos adubos registrou expressiva deterioração na virada de trimestre.
Levantamento conduzido pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) revela que, ao confrontar o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica com os valores médios de mercado dos fertilizantes no estado de São Paulo, o produtor precisa desembolsar 19,4% a mais de café neste mês para adquirir exatamente o mesmo volume de adubação comprado em agosto, período em que as fazendas estruturavam as remessas iniciais.
Safra de café em SP deve subir 30,6% e somar 6,2 mi de sacas
Produção de café avança em MT com margem de 73% na safra
Planejamento de novas aplicações entra no radar das fazendas
De acordo com os pesquisadores do Cepea, a maior parte dos cafeicultores já havia garantido o suprimento físico dos lotes destinados à primeira rodada de nutrição, aplicada logo após as primeiras chuvas de primavera para estimular o pegamento da florada e o desenvolvimento inicial das bagas.
O ponto de atenção, no entanto, recai sobre o cronograma complementar de manejo. Os protocolos agronômicos do café exigem novos parcelamentos de fertilizantes nitrogenados e potássicos entre o encerramento do ano corrente e os primeiros meses de 2027. Diante disso, o planejamento financeiro e as cotações para essas compras futuras já estão em andamento nos escritórios rurais, exigindo atenção redobrada aos momentos de repique nos preços do café arábica no mercado físico para travar as operações de barter e conter a escalada dos custos de produção.
