O poder de compra do avicultor paulista de postura comercial frente aos dois principais insumos nutricionais da atividade — milho e farelo de soja — registrou retração em agosto, atingindo o menor patamar real desde fevereiro deste ano, com dados deflacionados pelo IGP-DI de julho/26. O diagnóstico integra o levantamento setorial conduzido pelos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Conforme a análise do centro de pesquisas, embora as cotações médias dos ovos tenham apresentado recuperação nominal ao longo do último mês, os reajustes mais agressivos observados nas praças de comercialização do cereal e do derivado da oleaginosa superaram a valorização da proteína nas granjas. A disparidade de ritmo entre insumos e produto final acabou comprimindo a relação de troca da atividade.
Preço do ovo em agosto é o menor em termos reais desde 2020
Demanda fraca pressiona cotações dos ovos no atacado e nas granjas
Na comparação direta com o milho, balizada pelo Indicador ESALQ/BMFBovespa, o volume do insumo adquirido pelo granjeiro encolheu pelo segundo mês consecutivo:
Ovos brancos: a comercialização de uma caixa permitiu a aquisição de 128,49 quilos de milho em agosto, uma retração de 1,3% frente ao apurado em julho;
Ovos vermelhos: a venda de uma caixa garantiu a compra de 128,86 quilos do cereal, registrando a mesma desvalorização de 1,3% na comparação mensal.
Os analistas do Cepea destacam que os atuais volumes de troca marcam a segunda queda consecutiva da série, estabelecendo o nível de poder aquisitivo mais baixo do segmento desde fevereiro em termos reais. Diante do quadro, os avicultores iniciam o mês de setembro buscando consolidar novas altas nos preços dos ovos na tentativa de recompor suas margens operacionais frente aos custos da ração.
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