O Ministério de Minas e Energia (MME) oficializou o cronograma para início dos ensaios práticos voltados à ampliação da presença do etanol anidro na gasolina comercial. Durante o seminário comemorativo da Lei do Combustível do Futuro, promovido na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (2), o secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Renato Cabral, anunciou que o plano oficial de testes para viabilizar o E35 (mistura de 35% de etanol anidro à gasolina) será submetido à aprovação e publicado ainda neste mês de setembro.
O calendário governamental foi detalhado pelo secretário perante parlamentares e líderes do agro: "No dia 11 [de setembro], nós submeteremos à aprovação do plano de testes ao comitê técnico do CNPE [Conselho Nacional de Política Energética] e no dia 18 iremos publicar a nossa portaria do Ministério de Minas e Energia com o plano de testes para o E35 e dar início a esse trabalho robusto", pontuou Cabral.
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O anúncio foi recebido com entusiasmo pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O vice-presidente da bancada, deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), classificou a decisão como mais um passo concreto para a descarbonização da matriz de transportes. Jardim lembrou que a aprovação da Lei do Combustível do Futuro, somada a recentes vitórias regulatórias como o Projeto de Lei Complementar 114/2026, consolida um diferencial tributário e competitivo indispensável para blindar as fontes renováveis frente aos combustíveis fósseis.
Segundo estimativas do MME, a evolução anterior em direção ao E32 já garante uma economia anual próxima a 1 bilhão de litros de gasolina importada. Na avaliação do presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Evandro Gussi, o etanol brasileiro se estabelece como a resposta imediata mais viável para atender a pelo menos 30 nações que atravessam crises ou sobrecargas em suas matrizes energéticas. Para Mário Campos, presidente da Bioenergia Brasil, o ritmo contínuo de investimentos fabris no setor decorre diretamente da estabilidade conferida pelas políticas públicas aprovadas nos últimos anos.
Salto no esmagamento de grãos e expansão do biometano
Os desdobramentos da legislação alcançam com igual intensidade a cadeia de grãos e as usinas de biogás. Com a perspectiva de adoção do B25 (25% de biodiesel no diesel fóssil) até 2035, a produção voltada ao transporte rodoviário deverá atingir 20,4 bilhões de litros — praticamente o dobro do patamar fabricado atualmente.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projetou que a expansão do uso de biocombustíveis em modais pesados adicionará demandas de 5,3 bilhões de litros no transporte aquaviário e entre 1,17 bilhão e 2,08 bilhões de litros em combustíveis sustentáveis de aviação (SAF).
Conforme o presidente-executivo da Abiove, André Nassar, o atendimento a esses índices exigirá uma transformação na agroindústria de oleaginosas, elevando a demanda por óleo de soja dos atuais 6,8 milhões para 17,8 milhões de toneladas, o que demandará o esmagamento doméstico de 121 milhões de toneladas do grão e gerará 97 milhões de toneladas de farelo de soja.
No segmento de resíduos orgânicos, a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) indicou que o país tem capacidade de alcançar 216 milhões de m³/dia de biogás e 120 milhões de m³/dia de biometano. A presidente da entidade, Josiani Napolitano, definiu o potencial de geração como um "pré-sal caipira", informando que a segurança jurídica gerada pelo marco legal já alavancou a instalação de pelo menos 14 novas plantas fabris no interior do país.
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