O mercado de defensivos agrícolas movimentou o montante histórico de R$ 15,4 bilhões na segunda safra de milho, encerrada em julho deste ano. O resultado representa uma expansão de 13% sobre o período anterior, quando somou R$ 13,7 bilhões, e marca o patamar recorde de negócios na série histórica da consultoria Kynetec Brasil, apurado no estudo FarmTrak™ Milho Safrinha 2026. Em 2024, o segmento havia movimentado R$ 12,7 bilhões.
Quando calculadas em dólar, as transações avançaram 18% e alcançaram US$ 2,86 bilhões. A diferença percentual entre os índices decorreu da valorização cambial de 5% da moeda brasileira no ciclo, com o câmbio médio recuando de R$ 5,67 para R$ 5,41 por dólar.
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O desempenho reverteu a retração de 7% observada em 2025. Conforme o especialista em pesquisas da Kynetec, Millôr Mondini, o motor da alta não foi a abertura de novas áreas, mas a severidade do manejo sanitário:
"O produtor não plantou mais milho em 2026. Ele tratou mais o milho que plantou. O crescimento veio dentro da calda, com mais alvos por aplicação e uso de produtos de maior valor agregado", explicou o executivo.
Enquanto a área plantada cresceu apenas 1% nas regiões monitoradas, atingindo 17,4 milhões de hectares, o número médio de intervenções químicas e biológicas subiu de 17,7 para 19,1 aplicações. O movimento impulsionou a Área Potencial Tratada (PAT) para 425 milhões de hectares cobertos — avanço de 8%.
Aliado a isso, o custo médio por tratamento aumentou de R$ 43,10 para R$ 44,90 por hectare, elevando o investimento total na proteção da lavoura de R$ 794 para R$ 887 por hectare (+12%), puxado principalmente por lavouras de Mato Grosso e da região do Mapitopa (Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará).
Pressão de lagartas e demanda por fungicidas premium
A liderança das aquisições coube aos inseticidas, que responderam por 39% do faturamento da safra, totalizando R$ 6,01 bilhões (+16%). O combate às lagartas foi o fator preponderante da categoria: absorveu 43% do valor gasto com inseticidas (R$ 2,6 bilhões contra R$ 1,64 bilhão em 2025), um salto de 58%, cobrindo 92% da área cultivada.
Mondini pontuou que os números expõem a perda gradual de controle das tecnologias genéticas no campo:
"Esses dados mostram, em resumo, que a proteção conferida pelas chamadas biotecnologias de última geração não sustenta mais o controle de lagartas. O tratamento foliar por inseticidas deixou de ser um complemento e entrou na rotina, independentemente do evento biotecnológico presente nas sementes."
Na sequência do faturamento figuraram:
Fungicidas: movimentaram R$ 3,3 bilhões (21% do total, alta de 13%), com as formulações consideradas premium respondendo por 58% do valor investido contra doenças (R$ 1,92 bilhão), com adoção em 63% dos cultivos;
Herbicidas: totalizaram R$ 3,12 bilhões (20% do mercado, alta de 15%), com forte busca por produtos de amplo espectro (adoção subindo de 31% para 44%) para enfrentar invasoras resistentes como capim-pé-de-galinha e capim-amargoso;
Nematicidas: registraram o maior crescimento percentual da pesquisa (+34%), atingindo R$ 712 milhões e presença em 51% da área, impulsionados pela fatia de insumos biológicos.
Somando-se a safra de verão e a safrinha, o mercado brasileiro de defensivos para milho movimentou R$ 18,3 bilhões em 2026, com a segunda safra respondendo por 84% de todo o capital investido em proteção vegetal no país. O levantamento da Kynetec envolveu quase 2,3 mil entrevistas com produtores rurais e gestores em áreas que cobrem 95% do plantio nacional do cereal.
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