Um comitê institucional formado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Sedec e Censipam divulgou o Boletim nº 3 sobre o comportamento e os impactos do El Niño no território brasileiro em 2026. Alinhado às projeções da agência meteorológica norte-americana CPC/NOAA, o estudo aponta probabilidade superior a 90% de o fenômeno se configurar na categoria de muito forte ao longo do trimestre setembro-outubro-novembro (SON).
O relatório conjunto, que também contou com a colaboração técnica da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), desenha um quadro de acentuada divisão climática sobre as principais regiões produtoras do país durante o início da safra de verão 2026/2027.
Mapa recebe plano da Embrapa com 163 ações contra riscos climáticos no campo
El Niño se intensifica até novembro e acentua extremos climáticos no Brasil
Na porção meridional, a Região Sul — com ênfase sobre o Rio Grande do Sul —, além de áreas de São Paulo e do sul de Mato Grosso do Sul, deve registrar precipitações acumuladas expressivamente acima da média histórica. Em direção oposta, as Regiões Norte e Nordeste enfrentam perspectiva de um trimestre mais seco e severo. O deficit hídrico também atinge áreas estratégicas do Brasil Central e do Sudeste, englobando Mato Grosso, Tocantins, o norte de Goiás, Minas Gerais e o Espírito Santo, com alta probabilidade de chuvas abaixo dos padrões normais.
Calor generalizado e risco ampliado de queimadas
Os modelos agrometeorológicos indicam que os termômetros devem registrar anomalias positivas de temperatura em quase todo o território nacional. Ainda que quedas pontuais e bruscas não estejam descartadas ao longo de setembro decorrentes da passagem de massas de ar polar, a predominância de calor extremo combinada à estiagem prolongada nas regiões Central e Norte amplia o alerta para o potencial de propagação de incêndios florestais e queima de palhadas agrícolas, impulsionado pela perspectiva de atraso na chegada regular das águas.
No bioma amazônico e no Pantanal, áreas onde a primavera tradicionalmente estabelece o início da transição para a estação úmida, a força do aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial deve adiar a regularização das chuvas. Projeções do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam precipitações aquém da climatologia no Pará, Maranhão, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre, norte de Mato Grosso e setores centrais de Rondônia e Tocantins, mantendo o solo ressecado por uma janela temporal mais ampla.
De acordo com os especialistas do Inmet e pesquisadores da NOAA, embora a magnitude do evento não signifique de forma linear que todos os extremos climáticos se concretizem, a intensidade elevada amplia de forma estatística a chance de quebras produtivas. A recomendação do órgão é manter o acompanhamento semanal e sazonal das previsões para orientar as janelas de plantio e a contratação de instrumentos de mitigação de risco nas lavouras.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
