O avanço do acordo entre Mercosul e Uniao Europeia no Congresso Nacional reacendeu o debate sobre os impactos para o agronegócio brasileiro. Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuaria defenderam a aprovação do tratado, mas alertaram que as salvaguardas negociadas com os europeus podem restringir ganhos imediatos e exigir medidas de defesa comercial.
Durante reunião da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, no Senado, a senadora Tereza Cristina classificou o tratado como resultado de uma política de Estado construída ao longo de mais de duas décadas, mas destacou que cláusulas de proteção precisam ser acompanhadas de perto.
FPA articula e Congresso aprova auxílio canavieiro e novos créditos
FPA projeta força no Congresso e busca destravar renegociação rural
Regras para irrigação mudam em MT após decisão do Tribunal de Justiça
Segundo ela, mecanismos que impõem restrições graduais a produtos como carnes e açúcar podem afetar o ritmo de expansão das exportações, exigindo reciprocidade e transparência sobre a sustentabilidade do sistema produtivo brasileiro.
A deputada Ana Paula Leao chamou atenção para o impacto sobre a cadeia leiteira, especialmente diante da concorrência com produtos europeus subsidiados, e defendeu o uso de instrumentos de defesa comercial.
O deputado Luiz Carlos Hauly apontou assimetrias estruturais entre os blocos, como diferenças de renda e políticas de subsídio, enquanto Pastor Eurico destacou o caráter estratégico do acordo para ampliar oportunidades ao Brasil.
Já Afonso Motta ressaltou o esforço institucional envolvido nas negociações e afirmou que o tratado consolida o protagonismo brasileiro no comércio internacional.
Ao final da reunião, a votação do parecer foi adiada após pedido de vista do deputado Renildo Calheiros. O texto, relatado por Arlindo Chinaglia, retorna à pauta no próximo dia 24. Se aprovado, seguirá para análise da Câmara e do Senado em regime de urgência.
Encaminhado ao Congresso no início de fevereiro, o acordo prevê a eliminação ou redução gradual de até 90% das tarifas comerciais ao longo de uma década. O tratado envolve um mercado estimado em cerca de 700 milhões de consumidores e é considerado um dos maiores já negociados pelos blocos.
