A cultura do alho vive um ciclo de forte expansão no Noroeste do Paraná, consolidando-se como alternativa de alta rentabilidade e diversificação de renda para os agricultores regionais. Para estruturar esse avanço e capacitar os produtores para as exigências do mercado consumidor, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em conjunto com instituições parceiras, promove no dia 22 de outubro o Seminário de Produtores de Alho de Umuarama. O encontro ocorre das 9h às 15h30, no Auditório da Sociedade Rural do município, com entrada gratuita para produtores rurais, engenheiros agrônomos, técnicos e estudantes.
A escolha de Umuarama como polo do debate reflete a transformação econômica da atividade no território. Em apenas um ano, o valor bruto da produção do alho na região saltou de R$ 128,8 mil em 2024 para R$ 2,2 milhões em 2025 — um avanço expressivo de 16 vezes.
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No mesmo intervalo:
O volume físico colhido disparou de 8 para 128 toneladas;
A área total cultivada quintuplicou, passando de 3 para 15 hectares.
"O avanço da atividade evidencia o potencial da região e a importância de preparar os produtores para ampliar a produtividade, aprimorar o manejo e conquistar espaço no mercado", pontua o engenheiro agrônomo e técnico do IDR-Paraná, Ednilson Simone.
Tecnologia Dobra a Produtividade Dentro da Porteira
A virada de produtividade na olericultura regional tem como base o Projeto Alho Livre de Vírus, desenvolvido em parceria entre o IDR-Paraná e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Tradicionalmente, os horticultores utilizam dentes retirados dos próprios bulbos das safras anteriores para o plantio sucessivo, o que acumula viroses ao longo do tempo e degrada o vigor genético da lavoura. A nova tecnologia substitui esse ciclo por matrizes sadias, multiplicadas em estufas cobertas com telas antiafídeos que impedem o contato com pulgões e outros vetores transmissores de doenças.
A diferença nos resultados a campo é marcante:
Lavouras com material convencional contaminado: produzem entre 4 e 5 toneladas por hectare;
Lavouras com sementes livres de vírus: alcançam cerca de 10 toneladas por hectare.
"O projeto contribui ainda na redução de custos de produção e na oferta de sementes de melhor qualidade, o que garante maior produtividade e favorece a venda", ressalta o assessor estadual de olericultura do IDR-Paraná, João Reis.
Na safra de 2026, 23 produtores cooperados adotaram o sistema na região, obtendo taxas de retorno entre 8 e 10 quilos de alho colhido para cada quilo de semente plantado. Para a safra de 2027, a meta é atingir 30 produtores assistidos somente no polo de Umuarama.
Segundo o engenheiro agrônomo do IDR-Paraná, Antônio de Pádua, o acompanhamento técnico assegura a padronização do bulbo e a agregação de valor comercial no atacado. O evento contará com palestra do pesquisador Francisco Vilela, da Embrapa — referência nacional na cultura —, além de dirigentes da Associação Nacional dos Produtores de Alho (ANAPA).
