A cultura da maçã consolida-se como um dos pilares mais representativos do agronegócio e da identidade sociocultural de Santa Catarina. O estado combina relevo, regime térmico ideal e vocação histórica que, ao longo das últimas décadas, viabilizaram a estruturação de uma cadeia produtiva robusta. O setor engloba desde a agricultura familiar e os trabalhadores safristas até complexos de armazenagem com atmosfera controlada, linhas de classificação automatizada, cooperativas, indústrias de derivados e empresas de transporte frigorificado.
No território catarinense, a fruta gera renda no meio rural, sustenta milhares de postos de trabalho e integra a formação socioeconômica de diferentes regiões, em especial na Serra Catarinense.
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O município de São Joaquim, maior polo produtor do Brasil, lidera essa vocação. A altitude acima de mil metros, os invernos rigorosos com acúmulo satisfatório de horas de frio e as oscilações térmicas ideais favorecem a coloração, a crocância e a concentração de açúcares das frutas. O domínio agronômico das variedades Gala e Fuji mobiliza frentes contínuas de trabalho, abrangendo a poda hibernal, o raleio, o manejo fitossanitário e as operações de colheita. Além de São Joaquim, a pomicultura é esteio econômico fundamental em polos como Fraiburgo, Urubici, Urupema, Bom Jardim da Serra e Painel.
Desafios de custo, clima e a gestão com a ATeG
Apesar da liderança comercial, os fruticultores enfrentam pressões constantes, como intempéries (geadas fora de época e granizo), elevação nos custos de defensivos e fertilizantes, escassez de mão de obra para a colheita manual e exigências cada vez mais rigorosas do mercado comprador.
Para estruturar a sustentabilidade financeira dos pomares, produtores de todo o estado contam com o suporte dos programas de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) e de Formação Profissional Rural (FPR), disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Faesc/Senar em parceria com os Sindicatos Rurais.
O presidente do Sindicato Rural de São Joaquim e vice-presidente de finanças da Faesc, Antônio Marcos Pagani de Souza, aponta que o produtor precisa encarar a macieira como empresa:
"A maçã está diretamente ligada à economia e à história de São Joaquim. Temos produtores com grande conhecimento da atividade, mas os desafios aumentaram e hoje não basta produzir bem. É preciso controlar custos, planejar cada etapa e tomar decisões mais assertivas com base na tecnologia da informação."
O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, ressalta que a competitividade do setor depende do equilíbrio entre a técnica agronômica no pomar e os números no escritório:
"A ATeG permite que o produtor conheça melhor os números da propriedade, identifique onde estão os principais custos e tome decisões com maior segurança. Ao mesmo tempo, leva novas tecnologias e orientações técnicas ao campo. Esse conjunto melhora a eficiência produtiva, a competitividade e a renda das famílias atendidas. A pomicultura representa renda, emprego e permanência das famílias no campo. O estado construiu uma relação histórica com a maçã e hoje é referência nacional pela qualidade da produção e pela dedicação de seus produtores. Valorizar essa cadeia significa reconhecer a contribuição de milhares de famílias para a economia catarinense e criar condições para que a atividade continue forte e competitiva."
