O mercado do milho opera em desvalorização nesta quarta-feira, acumulando perdas tanto na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) quanto no pregão doméstico da B3, segundo levantamento da Granoeste Corretora. Na tela norte-americana, a posição com vencimento em dezembro registrava baixa de 5 pontos pela manhã, negociada a US$ 4,56 por bushel, estendendo as perdas da sessão anterior, que oscilaram entre 4 e 5 pontos.
Na B3, a tendência de baixa acompanhou o cenário externo: o contrato de novembro trabalhava cotado a R$ 65,55 por saca (frente ao fechamento anterior de R$ 65,96), enquanto o vencimento janeiro de 2027 recuava para R$ 69,50 (ante R$ 69,94 do encerramento prévio).
Milho tenta recuperação em Chicago com suporte do petróleo
Milho opera em leve queda na CBOT com colheita acelerada
O quadro vendedor internacional reflete o avanço da colheita nos Estados Unidos, que atingiu 44% da área estimada — ainda abaixo da média histórica de 52% para o período. As lavouras norte-americanas que permanecem a campo apresentam 56% de suas áreas avaliadas em condições boas ou excelentes.
Na Europa, a agência Reuters reportou que perdas produtivas severas provocadas por ondas de calor forçarão a União Europeia a elevar em 40% suas importações de milho em relação ao ciclo passado. No entanto, o fluxo adicional de compras tem sido capturado pelos Estados Unidos (cujos embarques ao bloco saltaram de menos de 1,0 milhão para 2,9 milhões de toneladas) e pela Ucrânia. O Brasil, em contrapartida, perdeu espaço na rota europeia, caindo de 2,74 milhões de toneladas em 2025 para 1,82 milhão na temporada atual.
Paraná atinge 86% do plantio e alerta sanitário pesa no interior
No cenário brasileiro, os trabalhos a campo avançam para a reta final da primeira safra. Dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral) apontam que o plantio do milho verão no Paraná atingiu 86% da área prevista, calculada em 371,1 mil hectares — número 1% superior ao registrado na temporada anterior. A produção estadual da safra de verão é estimada em aproximadamente 4,0 milhões de toneladas, patamar inferior às 4,14 milhões de toneladas colhidas no ciclo 2024/25.
Em paralelo ao ritmo das plantadeiras, a cadeia de grãos acompanha com cautela os desdobramentos da sanidade animal. O governo federal decretou estado de emergência sanitária em municípios no entorno de Nova Itaberaba (SC), epicentro da confirmação de um foco da doença de Newcastle em aves de corte. Em decorrência do caso, importadores como China, México e Chile impuseram suspensões temporárias às compras de carnes brasileiras, adicionando incerteza sobre a demanda futura da avicultura por ração.
Conforme aponta a Granoeste Corretora, o ambiente de negócios no mercado disponível brasileiro segue travado e com liquidez restrita. As cotações no interior sofrem a pressão combinada do recuo na CBOT e da estabilidade do dólar, que opera a R$ 5,01 (após fechar a R$ 5,017 na sessão anterior), reduzindo os níveis de paridade de exportação e a margem de formação de preço nos portos.
Nas praças de comercialização, as indicações de compra no oeste do Paraná trabalham na faixa de R$ 56,00 a R$ 59,00 por saca. No porto de Paranaguá, as ordens de compra giram entre R$ 63,00 e R$ 66,00 por saca, com variações atreladas ao prazo financeiro de pagamento e à localização logística do lote no interior.
