Uma sequência de decisões no comércio internacional redesenhou o cenário de oportunidades para o agronegócio brasileiro ao longo da última semana, aponta relatório de inteligência da TF Agroeconômica. Entre os destaques está a decisão da Índia de autorizar a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com alíquota zero, marcando a primeira abertura relevante às compras externas em quase dez anos para tentar conter uma alta interna de 40% nos preços da commodity. Tradicionalmente, o produto enfrenta tarifas de 100% no mercado indiano.
No segmento de proteínas, o governo dos Estados Unidos anunciou a intenção de abrir uma cota adicional de até 300 mil toneladas de carne bovina com tarifas reduzidas por um período de 90 dias. A medida busca ampliar a oferta doméstica de carne magra e recortes (trimmings) voltados à fabricação de carne moída. O movimento surge em momento oportuno para os frigoríficos brasileiros, que buscam diversificar destinos e reduzir a dependência das compras chinesas, embora a distribuição do volume entre os países fornecedores ainda dependa de regulamentação.
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Aperto na safra de milho dos EUA e impacto nos confinamentos
O cenário internacional também foi impactado pelo corte expressivo nas estimativas da safra norte-americana de milho. O levantamento de campo da consultoria Pro Farmer projetou a produção dos EUA em 389,75 milhões de toneladas — volume quase 17 milhões de toneladas inferior à previsão oficial do USDA —, revelando lavouras irregulares, menor população de espigas e grãos mais curtos.
A perspectiva de quebra nos EUA abre espaço para que o milho brasileiro ganhe competitividade nas exportações e melhore os preços de paridade nos portos. Por outro lado, a valorização das cotações em Chicago e no mercado doméstico acende um alerta de custos para os setores de aves, suínos e confinamentos de gado de corte, intensificando a concorrência pela matéria-prima da ração contra a indústria de etanol de milho.
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