O mercado brasileiro de bioinsumos consolidou sua rápida trajetória de expansão e esteve no centro dos debates da XXII Reunião da RELARE (Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola), realizada em Curitiba (PR). Em 2025, o setor movimentou R$ 7 bilhões, sustentando uma taxa de crescimento anual de 21% entre 2019 e 2024 — ritmo quatro vezes superior à média global.
O número de fabricantes no país saltou de 81 para 209 indústrias, evidenciando a evolução de um segmento experimental para uma arena comercial altamente competitiva.
Abrafrutas defende regulamentação equilibrada da Lei dos Bioinsumos
Setor de bioinsumos enfrenta escassez de profissionais capacitados
Larissa Plaisant Bonotto, representante da ANPII-Bio, avalia que o ciclo atual exige diferenciação agronômica: "O crescimento e a consolidação do mercado de bioinsumos não serão impulsionados apenas pelo lançamento de novos produtos, mas pela capacidade das empresas em gerar evidências técnicas de campo, capacitar suas equipes e transformar a tecnologia em resultados práticos e rentáveis para o produtor. A próxima curva dependerá menos do volume bruto e mais da especialização técnica que assegura o uso adequado, a confiança e a recompra."
Dados da CropLife Brasil apontam que a área tratada com biológicos no país alcança 194 milhões de hectares, com faturamento industrial de R$ 6,2 bilhões em 2025 voltado a biodefensivos e bioinoculantes (fixação de nitrogênio e solubilização de fósforo). Apenas em 2024, foram aplicados R$ 132 milhões em Pesquisa e Desenvolvimento (PD). Amália Borsari, da CropLife, ressaltou que a manutenção de critérios regulatórios baseados em risco é essencial para coibir produtos sem padrão técnico e conferir segurança jurídica ao agricultor.
Inovação aberta na Embrapa e parâmetros de patentes no INPI
A integração entre pesquisa pública e o setor privado foi detalhada por Carina Gomes Rufino, chefe de Transferência de Tecnologias da Embrapa Soja. A instituição aposta em parcerias sob a Lei de Inovação e o Marco Legal de Ciência e Tecnologia para codesenvolver ativos — como coleções de microrganismos multifuncionais, vírus entomopatogênicos, fungos e óleos essenciais —, garantindo governança em propriedade intelectual, licenciamento e retorno de royalties para a pesquisa.
No campo da proteção intelectual, Sérgio Bernardo, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), esclareceu as exigências da Lei de Propriedade Industrial (LPI) para ativos biológicos. Os pedidos demandam busca prévia no estado da técnica, suficiência descritiva e atenção às restrições legais sobre microrganismos, cuja proteção incide estritamente sobre organismos geneticamente modificados (OGMs) ou não naturais que atendam aos critérios de novidade e aplicação industrial.
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