Segundo relatório mensal divulgado pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul nesta segunda-feira (26), o Índice de Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) no Rio Grande do Sul subiu 7,54% em setembro frente ao mês anterior. O resultado marca o quarto mês consecutivo de valorização das cotações agrícolas no estado e representa a variação percentual mais expressiva para o indicador desde fevereiro de 2022. Com essa trajetória, o índice acumula avanço de 16,29% no ano e saltou de 4,05% em agosto para 13,73% no acumulado de 12 meses.
O principal vetor da disparada no campo gaúcho foi a soja, que registrou valorização de 8,7% no mês — desempenho quase quatro vezes superior ao padrão histórico de sazonalidade para o período —, alcançando o nível de cotação mais elevado desde abril de 2023. O arroz também manteve ritmo agressivo de alta, avançando 8,4% em setembro e acumulando elevação de 52,4% no ano. A sustentação das cotações do cereal é amparada pela perspectiva de retração de 36% nos estoques de passagem brasileiros para o próximo ciclo produtivo. Na pecuária, em sentido oposto, a cotação do boi gordo recuou 3,3%, movimento influenciado pela sazonalidade típica do período de descarte e oferta.
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Recomposição de margens sem pressão inflacionária
Embora o avanço de 13,73% acumulado pelo indicador em 12 meses supere a variação do IPCA geral (4,58%) e do grupo Alimentação e Bebidas (4,66%), a análise econômica do setor ressalta que o movimento representa apenas uma recomposição de margens defasadas para a agropecuária do Rio Grande do Sul.
No recorte dos últimos dois anos, os valores recebidos pelos produtores rurais gaúchos ficaram praticamente estáveis, anotando oscilação acumulada de apenas 0,7%, enquanto os preços dos alimentos cobrados do consumidor final nas prateleiras dos supermercados subiram 11,6% no mesmo intervalo. Dessa forma, a recuperação recente reflete a amortização de perdas financeiras acumuladas pelo produtor, sem configurar o início de uma espiral inflacionária gerada na porteira.
Custos operacionais voltam a pressionar a atividade
Se a receita no campo gaúcho ganhou tração, as despesas operacionais também aceleraram. O Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) subiu 1,44% em setembro, registrando o avanço mensal mais acentuado desde abril. No acumulado de 12 meses, a taxa do custo praticamente dobrou, passando de 1,65% em agosto para 3,35% em setembro, somando 5,13% no ano.
Os fertilizantes continuam na liderança das pressões financeiras, com elevação de 3,9% no mês, respondendo por mais da metade de todo o avanço do IICP em setembro e explicando a totalidade do aumento dos custos no ano. Esse impacto foi apenas parcialmente atenuado pelo recuo verificado nas tabelas de defensivos agrícolas.
Paralelamente, a disparada de 17% nas cotações internacionais do barril de petróleo atingiu diretamente o abastecimento doméstico. O preço do óleo diesel subiu 5,2% no Rio Grande do Sul em setembro, pressionado pela defasagem de preços frente ao mercado internacional e por gargalos pontuais de oferta. O encarecimento do combustível provocou reflexo imediato na contratação de fretes rodoviários, que subiram 4,1%, e no custo das operações com maquinários e tratos culturais dentro das propriedades rurais, que registraram alta de 2,1%.
