Os preços do milho continuam acumulando perdas no mercado físico brasileiro, pressionados diretamente pela expressiva disponibilidade interna do cereal nos armazéns. De acordo com análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a retração nas cotações do mercado internacional, combinada à recente desvalorização da moeda norte-americana frente ao real, encurtou a paridade de exportação e aumentou a pressão baixista sobre as praças consumidoras do país.
Nas mesas de negociação, os compradores mantêm postura de forte cautela e evitam posições alongadas. As indústrias e fábricas de ração acompanham de perto o avanço do plantio da safra de verão: mesmo com interrupções pontuais causadas pelo alto volume de chuvas recentes em polos do Sul e Sudeste, a semeadura caminha em ritmo satisfatório, o que garante a projeção de um fluxo contínuo e volumoso de grãos ao longo dos próximos meses.
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Do lado vendedor, o cenário de estoques elevados começou a ditar novas estratégias. Muitos produtores rurais passaram a mostrar maior flexibilidade nos valores pedidos para fechar lotes, motivados tanto pela necessidade de gerar caixa imediato para cobrir os custos operacionais da semeadura quanto pelo receio de novas desvalorizações das cotações no curto prazo.
Nos corredores de exportação, o recuo nos preços foi ainda mais expressivo do que o observado no interior. As cotações nos portos brasileiros cederam com intensidade nos últimos dias, refletindo o duplo golpe das quedas nos contratos futuros nas bolsas internacionais e o alívio na cotação do dólar, o que limita o apetite das tradings e esfria o ritmo dos novos contratos de escoamento para o mercado externo.
