Considerado o coração da produção, do beneficiamento e da exportação de commodities agrícolas do Brasil, o Centro-Oeste registrou a maior alta anual no volume de empresas inadimplentes em setembro de 2026. Segundo levantamento técnico divulgado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o número de pessoas jurídicas com contas em atraso saltou 17,98% em relação a setembro de 2025, superando expressivamente a média nacional, que ficou em 13,24%. O volume de dívidas empresariais não pagas também teve a maior expansão entre todas as regiões do país, avançando 20,71% em 12 meses.
No recorte mensal, comparando agosto e setembro, a quantidade de empresas negativadas na região aumentou 1,00%, a taxa mais acentuada do território nacional. No mesmo intervalo, a quantidade de pendências financeiras contraídas por essas companhias subiu 0,91%.
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Os indicadores confirmam que o aperto na liquidez do setor corporativo avança em velocidade bem superior à média brasileira, refletindo tensões de fluxo de caixa tanto no comércio quanto nos elos da agroindústria e serviços de suporte à cadeia produtiva.
Endividamento das famílias: 48,74% dos adultos negativados
O endividamento das pessoas físicas acompanha o ritmo de estresse financeiro. De acordo com os dados do SPC Brasil, aproximadamente 6,47 milhões de consumidores estavam negativados no Centro-Oeste ao fechamento de setembro, o que corresponde a expressivos 48,74% de toda a população adulta regional. Trata-se da maior proporção do país, ligeiramente à frente do Norte, que registrou 48,45%.
Na base anual de comparação com setembro de 2025, a inadimplência entre pessoas físicas avançou 7,74%, patamar superior à média brasileira (6,97%). Frente a agosto, o crescimento foi de 2,27%.
A pressão sobre o orçamento doméstico fica ainda mais visível no volume de compromissos pendentes: o número de dívidas em aberto contraídas por pessoas físicas subiu 14,36% em 12 meses e 3,37% em apenas 30 dias, batendo as médias nacionais de 13,62% e 3,07%, respectivamente.
O cruzamento dos indicadores aponta para um estrangulamento financeiro simultâneo na região: quase metade dos adultos encontra-se com restrição cadastral e as empresas sofrem uma escalada sem paralelo no atraso de seus compromissos comerciais e bancários, exigindo atenção redobrada no monitoramento do crédito corporativo e de consumo no polo do agronegócio.
