A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) integrou nesta quinta-feira (22) a etapa de encerramento da Caravana Muda Brasil, iniciativa conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) com o objetivo de levantar os gargalos estruturais das cadeias produtivas e alinhar as prioridades legislativas no Congresso Nacional para a legislatura que se inicia em 2027. O evento, sediado na capital paulista, reforçou a urgência da articulação política na formulação de políticas públicas voltadas à segurança jurídica, competitividade tributária e permanência das famílias rurais na atividade.
Coordenada pelo presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion, e pela senadora Tereza Cristina, a mesa de debates contou com parlamentares eleitos de estados estratégicos, como Mato Grosso, Goiás e Espírito Santo, além de integrantes da bancada paulista sob a coordenação do deputado Arnaldo Jardim, e da presença do vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Marcelo Bertoni. O foco central das discussões esteve na blindagem econômica do produtor e no destravamento de investimentos na infraestrutura do campo.
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Para o presidente da Faesp, Tirso Meirelles, a sintonia técnica entre a bancada parlamentar e as entidades representativas é indispensável para evitar retrocessos regulatórios.
"Os deputados e senadores da FPA têm um trabalho fundamental para a permanência dos produtores rurais no campo e para a segurança alimentar da população brasileira e de parte do mundo. Por conhecerem bem o setor, estão sempre atentos às questões que podem impactar o dia a dia das propriedades", destacou Meirelles, complementando que a interlocução perene transforma as queixas da porteira em leis que asseguram previsibilidade ao planejamento agrícola.
Foco no endividamento rural e garantias de seguro
A Caravana Muda Brasil iniciou seu itinerário na terça-feira (20), em Minas Gerais, percorrendo polos produtivos no Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Sul antes de desembarcar em São Paulo. Ao longo das consultas regionais, o endividamento rural emergiu como o tema mais crítico e urgente, alimentado por quebras climáticas passadas, oscilações severas nas margens de lucro e elevação do custo de captação de recursos financeiros.
Os parlamentares e dirigentes alertaram que a insolvência financeira ameaça a continuidade operacional de médios e grandes negócios, minando a adoção de novas tecnologias e a compra de insumos modernos. Outro ponto apontado como inegociável é a reconstrução e ampliação orçamentária do seguro rural, ferramenta elementar para proteger o fluxo de caixa das fazendas diante dos eventos climáticos extremos.
A Faesp defendeu formalmente que as soluções não se limitem a prorrogações paliativas e medidas de emergência a cada fechamento de safra. A entidade cobra a estruturação de uma política de Estado perene, capaz de garantir liquidez, blindar o patrimônio do produtor e sustentar o protagonismo exportador do agronegócio nacional junto às diretrizes da próxima gestão do governo federal.
