A Consultoria Agro do Itaú BBA divulgou a edição de agosto de 2026 do relatório Agro Mensal (Radar Agro), apresentando um raio-x das principais cadeias produtivas do agronegócio brasileiro. O documento aponta que o mercado agropecuário opera sob forte influência da consolidação do fenômeno El Niño, que já impõe excesso de umidade no Sul do país e tempo seco no Brasil Central, moldando as expectativas para o início do plantio da safra de verão 2026/27 e para a reta final das culturas de inverno.
No front internacional, o balanço global de grãos e fibras busca equilíbrio entre o avanço de uma produção volumosa nos Estados Unidos e as recorrentes tensões geopolíticas no Mar Negro, que afetam diretamente o comércio de trigo e milho.
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Grãos e fibras: safra dos EUA, prêmios no Brasil e avanço do algodão
No complexo soja, após a volatilidade climática em Chicago durante julho, o mercado internacional voltou a precificar o peso da safra norte-americana. A análise aponta que, embora os preços em Chicago tenham encontrado suporte, os repasses ao produtor brasileiro na safra 2026/27 tendem a ser limitados por basis descontados diante da ampla oferta sul-americana projetada. No mercado físico disponível, a saca em Sorriso (MT) sustentou ganhos em agosto, atingindo média de R$ 125, amparada pelo câmbio e pela retenção dos vendedores.
Para o milho, a cotação física também registrou valorização no interior — alcançando R$ 46/sc em Mato Grosso —, impulsionada pelo dólar e pelo consumo doméstico. No entanto, há um alerta para a perda de competitividade do cereal brasileiro frente a origens como EUA, Argentina e Ucrânia, o que tem provocado desaceleração nas exportações nos últimos meses.
Já no mercado de algodão, a conjuntura é construtiva: a redução nos estoques finais mundiais (projetados em 15,2 milhões de toneladas) e o forte ritmo exportador garantiram suporte às cotações em Nova York e no mercado doméstico, onde a comercialização da safra 2025/26 em Mato Grosso já alcançou 74%.
Pecuária e proteínas: arroba em recuperação, desafio na suinocultura e avicultura sólida
No setor de proteína animal, a pecuária de corte encerrou a primeira quinzena de agosto com recuperação nos preços da arroba — alta acumulada de 7% em São Paulo —, sustentada pela escassez de oferta de animais terminados e pela retenção de fêmeas. Embora o ritmo de exportações para a China tenha arrefecido devido ao esgotamento das cotas anuais, destinos como Estados Unidos e Chile compensaram parte do volume. A projeção indica um último trimestre mais favorável para o boi gordo com a reabertura das compras chinesas para 2027, mas com atenção à relação de troca desafiadora na reposição de bezerros.
Na avicultura, o setor mantém rentabilidade satisfatória, beneficiado por custos de ração sob controle e bom desempenho das exportações (com crescimento acumulado de 15,9% no ano até julho), a despeito do monitoramento sobre potenciais restrições sanitárias na União Europeia.
Em contrapartida, a suinocultura atravessa momento crítico: a expansão da oferta doméstica derrubou os preços abaixo dos custos de produção no Sul e em São Paulo, impondo margens negativas e exigindo uma desaceleração no ritmo dos abates para reequilibrar o mercado.
Sucroenergético e café: suporte técnico em Nova York e floradas no radar
No setor sucroenergético, o açúcar rompeu a barreira dos 16 cents/lb em Nova York, sustentado pelas revisões para cima no déficit global da safra 2026/27 e pelas quebras na produção de beterraba na Europa. No Brasil, a menor qualidade da cana (ATR) tem limitado a expansão do mix açucareiro no Centro-Sul. O etanol hidratado iniciou recuperação em agosto após bater mínimas históricas em julho, amparado pelo aumento da mistura obrigatória de anidro na gasolina para 32% e pela competitividade nas bombas.
Para a cafeicultura, as chuvas durante a colheita causaram queda de frutos e problemas de qualidade, gerando forte alta nas bolsas internacionais em julho e mantendo as cotações em patamares elevados em agosto. O mercado acompanha a abertura antecipada de floradas e os riscos do El Niño sobre a safra brasileira 2027/28.
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