A atividade agropecuária liderou o desempenho econômico no estado de São Paulo no segundo trimestre de 2026, com uma expansão de 1,9% em relação ao primeiro trimestre. O levantamento da Fundação Seade consta na 32ª edição do Radar Macroeconômico, relatório estruturado pelo Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).
No período analisado, o Produto Interno Bruto (PIB) paulista totalizou R$ 1,05 trilhão, o que representa 30,5% de toda a riqueza de R$ 3,43 trilhões gerada no país. Enquanto a economia geral de São Paulo permaneceu estagnada na medição trimestral, o indicador acumulado nos últimos quatro trimestres mostrou avanço de 0,8%. Nesse horizonte anualizado, a agropecuária sustentou alta de 1,9%, superando o setor de serviços (+1,6%) e contrastando diretamente com o recuo de 1,1% registrado pela indústria de transformação.
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O documento da Faesp avalia ainda o impacto da pressão inflacionária sobre o setor produtivo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro, revertendo a deflação de 0,32% de agosto. Os principais vetores de elevação foram o grupo Habitação (+2,31%), puxado pelo salto de 7,98% na energia elétrica residencial, e Alimentação e Bebidas (+0,83%), que interrompeu três meses de retração. No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 4,58%, ultrapassando o teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (4,5%).
No front das matérias-primas, o Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) teve alta de 1,47%, impulsionado pelo salto de 10,39% no segmento de energia, reflexo da disparada do petróleo no mercado internacional diante de tensões geopolíticas. Esse movimento encarece combustíveis e derivados, ameaçando elevar os custos de frete e adubos na porteira.
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O mercado de trabalho exibiu resiliência no intervalo. A taxa nacional de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, com a população ocupada batendo o recorde de 103,5 milhões de postos formais e informais (alta de 1,1 milhão de vagas em 12 meses). No setor primário, o contingente ocupado alcançou 8,0 milhões de pessoas, um acréscimo de 107 mil postos de trabalho em relação ao ano anterior. O rendimento médio real habitual subiu para R$ 3.777 (+3,7%), enquanto a massa de rendimentos chegou a R$ 385,6 bilhões (+4,8%).
Em contrapartida, as contas públicas federais e o setor externo impõem cautela macroeconômica. Em agosto, o setor público consolidado amargou um déficit primário de R$ 10,0 bilhões. Com os juros nominais somando R$ 105,9 bilhões, o déficit nominal escalou para R$ 115,9 bilhões.
Nas contas externas, o balanço de pagamentos em transações correntes fechou agosto com saldo negativo de US$ 5,1 bilhões (ante déficit de US$ 3,8 bilhões no mesmo mês de 2025). As perdas nas contas de serviços (-US$ 5,3 bilhões) e renda primária (-US$ 7,0 bilhões) foram amortecidas pelo superávit da balança comercial, que garantiu US$ 6,6 bilhões com o embarque de produtos do agronegócio, enquanto as reservas internacionais fecharam em US$ 362,8 bilhões.
