A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu, nesta quinta-feira (5), em Brasília, o Workshop sobre Contabilização de Emissões Corporativas de Gases de Efeito Estufa (GEEs) e Metas Climáticas. O evento congregou técnicos e especialistas de múltiplos departamentos do Sistema CNA/Senar para aprofundar o debate sobre as ferramentas de inventário e os parâmetros globais de mensuração de pegada de carbono voltados ao setor agropecuário.
A finalidade institucional do fórum é preparar a cadeia produtiva para as demandas crescentes de governança socioambiental e sustentabilidade, fortalecendo a segurança técnica do setor rural perante os mercados internacionais e o ecossistema de finanças verdes e créditos de carbono.
Fieg fará compensação de gases de efeito estufa emitidos na Expoind
Pesquisa mostra que 26% das empresas vão cortar verba ESG
Para a CNA, a produção de alimentos e energia limpa no país posiciona o Brasil como protagonista na construção de respostas aos desafios das mudanças climáticas. No entanto, a entidade alerta que a metodologia de balanço de carbono não pode ser importada acriticamente: os critérios precisam contemplar os diferenciais regenerativos e as particularidades tropicais da agricultura e pecuária brasileiras.
Alinhamento ao GHG Protocol e SBTi FLAG
O conteúdo programático do treinamento teve como alicerce as duas principais referências metodológicas mundiais: o GHG Protocol e as diretrizes da iniciativa Science Based Targets para florestas, uso da terra e agricultura (SBTi FLAG). A exposição das ferramentas foi conduzida pelo consultor especialista Fábio Marques, que detalhou os protocolos de inventário corporativo e as métricas de permanência dos créditos de carbono.
Enquanto o GHG Protocol define as normas e os escopos para mensurar e auditar o volume bruto de emissões em organizações e empresas, o protocolo SBTi FLAG é direcionado especificamente a orientar empresas de alimentos e matérias-primas a traçarem trajetórias consistentes de mitigação no uso do solo.
O domínio dessas diretrizes pela representação do agro é visto como indispensável para blindar as exportações nacionais contra métricas distorcidas e consolidar o produtor brasileiro como fornecedor global de descarbonização com valor agregado.
