As principais entidades representativas da cadeia produtiva do biocombustível no país divulgaram nota conjunta de repúdio às declarações do senador Flávio Bolsonaro, que comparou o aumento da mistura de etanol na gasolina à prática de "reduflação". O documento é assinado pela Única, Unem, Bioenergia Brasil, Feplana, Unida e Orplana.
As organizações classificaram a declaração como um desserviço que desinforma o consumidor e desqualifica uma política pública estruturada há cinco décadas, desde o Proálcool até marcos regulatórios como o RenovaBio e a recém-aprovada Lei do Combustível do Futuro. O setor manifestou surpresa com o teor das críticas, ressaltando que a própria legislação passou pelo crivo do Senado Federal com o voto favorável do parlamentar.
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Segundo as entidades, o etanol garante benefícios diretos ao país ao oferecer elevada octanagem, dinamizar a economia em mais de mil municípios, baratear o custo final ao motorista e assegurar a soberania nacional por meio da autossuficiência no ciclo Otto.
Rigor técnico, testes veiculares e respaldo científico
O setor destacou que a regulamentação dos percentuais de mistura é conduzida com rigor técnico pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em articulação direta com a indústria automotiva e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A viabilidade do percentual de até 32% (E32) foi comprovada por meio de testes científicos executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os ensaios envolveram 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas — abrangendo o perfil da frota nacional fabricada entre 1994 e 2024 —, testados tanto em bancada de laboratório quanto em pistas com teores de 27%, 30% e 32% de etanol anidro. As avaliações técnicas atestaram plena viabilidade de funcionamento, sem perda de rendimento mecânico ou prejuízo ao consumidor.
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