O Sul e o Centro-Oeste de Minas Gerais encerram a colheita cafeeira consolidando uma das temporadas mais expressivas da história agronômica regional. Segundo o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção da variedade arábica nessas regiões deve atingir 15,93 milhões de sacas beneficiadas em 2026, impulsionando o volume total do estado para 34,96 milhões de sacas.
Os números mineiros acompanham o ritmo recorde da produção nacional de café, estimada pela estatal em 67,6 milhões de sacas, salto de 19,6% frente à temporada anterior e o maior patamar já registrado na série histórica oficial. A produtividade média brasileira também avançou 13,8%, passando de 30,4 para 34,6 sacas por hectare. No parque cafeeiro de Minas Gerais, a combinação entre a bienalidade positiva do arábica, a precipitação bem distribuída no pré-florescimento e o clima favorável até março garantiram o bom enchimento dos grãos.
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Implantação e enraizamento: a decisão que ecoa por vários ciclos
Com o encerramento dos trabalhos de colheita e secagem, os produtores voltam as atenções para a renovação e expansão de áreas. Por se tratar de uma cultura perene que permanece em produção por décadas, os cuidados na fase de abertura de sulcos, correção de perfil de solo e pegamento das mudas definem a sustentabilidade do investimento.
O gerente comercial da Hydroplan-EB, Francisco de Carvalho, alerta que o resultado obtido na safra atual não pode ofuscar a visão de longo prazo dentro da propriedade:
"Quando falamos em café, estamos falando de uma cultura que permanecerá naquela área por muitos anos. Por isso, a implantação não pode ser tratada apenas como mais uma operação de campo. O desenvolvimento que conseguimos construir no início ajuda a determinar como aquela planta estará preparada para atravessar os próximos ciclos", explica Carvalho.
O principal obstáculo agronômico na fase de muda é assegurar a rápida expansão do sistema radicular em profundidade antes dos períodos de estresse hídrico e calor intenso. Lavouras com enraizamento superficial sofrem com desuniformidade no estande, atrasando a primeira safra comercial e tornando as plantas suscetíveis a oscilações climáticas.
Manejo de base e uniformidade de estande
Especialistas ressaltam que a padronização das plantas no campo é o fator determinante para a viabilidade operacional e a mecanização futura:
"A uniformidade é um ponto importante. Quando algumas plantas apresentam desenvolvimento mais lento logo no início, o produtor pode carregar essa diferença ao longo da formação da lavoura. O objetivo é criar condições para que as mudas tenham um estabelecimento equilibrado e desenvolvam raízes capazes de explorar melhor o solo", destaca o executivo.
Para garantir o pegamento sem perdas de estande, programas de manejo biotecnológico — como o uso do condicionador e bioestimulante HYB PLUS associado a fertilizantes fosfatados de liberação gradual e matéria orgânica — vêm sendo integrados ao manejo do sulco. O sucesso da implantação, contudo, exige diagnóstico individualizado de cada talhão, considerando granulometria do solo, compactação, declividade e a genética da cultivar escolhida, preparando as bases produtivas que sustentarão as safras de Minas Gerais nos próximos anos.
