A confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina e a consequente imposição de barreiras sanitárias por parte de importadores levaram a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea-MT) a emitirem uma recomendação expressa de alerta sanitário para a cadeia avícola estadual. As entidades conclamam os criadores a elevarem o rigor nos protocolos diários de biosseguridade e a reportarem com urgência qualquer sintoma suspeito aos órgãos oficiais de defesa agropecuária. Em 2026, Mato Grosso mantém status sanitário livre, sem qualquer notificação confirmada da patologia.
Causada por um vírus de elevada transmissibilidade entre aves domésticas e silvestres, a doença de Newcastle provoca sintomas graves como distúrbios respiratórios, paralisias e torcicolos de origem neurológica, expressiva queda na postura de ovos e mortalidade repentina de lotes. As autoridades sanitárias reiteram que a enfermidade afeta exclusivamente as aves, sem apresentar risco significativo à saúde humana nem contaminação por ingestão de carne ou ovos inspecionados.
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"Embora Mato Grosso não tenha registros recentes da doença, a vigilância precisa ser contínua. É fundamental que os produtores mantenham as medidas de biosseguridade, observem a saúde das aves e comuniquem imediatamente ao Indea qualquer sinal suspeito. A notificação rápida permite que o serviço veterinário oficial investigue a ocorrência e adote as medidas necessárias para proteger a produção avícola do estado", pontua o assessor técnico de Pecuária da Famato, Marcos Carvalho.
Amostragem negativa em 84 granjas e rede de fiscalização
O monitoramento preventivo segue ativo em todo o território mato-grossense sob as diretrizes do Plano Nacional de Vigilância para Newcastle e Influenza Aviária. A responsável técnica pelo Programa Estadual de Sanidade Avícola do Indea-MT, Caroline Lemes Boursheid, revela que o órgão já inspecionou e colheu amostras laboratoriais em 84 granjas comerciais ao longo de 2026, todas com resultados 100% negativos para a presença viral.
"Em caso de mortalidade fora do padrão ou de sintomas respiratórios e neurológicos nas aves, o produtor deve notificar imediatamente o serviço veterinário oficial, para que a suspeita seja investigada e, quando necessário, sejam realizadas coletas para diagnóstico laboratorial e adotadas medidas de contenção", ressalta a médica-veterinária.
Para garantir pronta resposta em caso de notificações de campo, o Indea opera uma malha estrutural composta por 136 unidades veterinárias distribuídas pelos 142 municípios do estado, mobilizando um corpo técnico de 240 médicos-veterinários oficiais. O órgão também expediu determinação para que todos os estabelecimentos avícolas comerciais atualizem seus planos individuais de contingência, adaptando rotas de desinfecção de veículos, isolamento de núcleos e manejo de vazio sanitário à realidade de cada granja.
Efeito residual do México e recorde nos portos
No front comercial exterior, o anúncio de suspensão temporária nas compras de carnes de aves brasileiras por parte do México tem impacto direto considerado inexpressivo para a indústria de Mato Grosso. Segundo dados compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o mercado mexicano absorveu apenas 1,59% das exportações estaduais de frango entre janeiro e setembro de 2026, somando 1.437 toneladas.
No mesmo intervalo de nove meses, os frigoríficos mato-grossenses bateram o recorde da série histórica desde 2017 ao embarcar 90,12 mil toneladas de carne de frango, impulsionados pelas compras consolidadas da Arábia Saudita, Hong Kong, China e Emirados Árabes Unidos. No caso do mercado chinês, a restrição sanitária ficou circunscrita exclusivamente aos abatedouros sediados em Santa Catarina, garantindo a normalidade no fluxo de exportação do Centro-Oeste.
