O clima úmido, caracterizado por baixa luminosidade e temperaturas amenas, cria o ambiente ideal para a proliferação de doenças fúngicas nos cereais de inverno. De acordo com a fitopatologista Cheila Sbalcheiro, da Embrapa Trigo, a manifestação e a severidade dessas enfermidades estão diretamente atreladas ao nível de resistência da cultivar escolhida e às condições meteorológicas de cada estágio fenológico.
O acompanhamento constante das lavouras é a ferramenta mais eficaz para o controle assertivo de patologias como manchas foliares, oídio, ferrugens e giberela — com atenção redobrada durante a vigência de fenômenos como o El Niño.
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"Após dias consecutivos de chuva, as manchas foliares exigem maior atenção do produtor na fase inicial do trigo, já que estas doenças evoluem muito rápido e, caso não controladas, certamente vão impactar no rendimento final da lavoura", adverte Cheila Sbalcheiro.
A especialista pontua que a preservação do tecido foliar verde é determinante para a produtividade da cultura, visto que as lesões causadas pelos fungos reduzem diretamente a capacidade fotossintética da planta.
Alerta para giberela: manejo preventivo e proteção de espigas
A giberela figura entre as principais ameaças aos grãos de inverno em anos de excesso de umidade, uma vez que períodos de precipitação contínua associados a temperaturas entre 24°C e 30°C potencializam surtos epidêmicos. O patógeno ataca a estrutura reprodutiva desde o espigamento até a fase final de enchimento de grãos, podendo gerar perdas de até 25% no rendimento da colheita, além de inviabilizar lotes comerciais pela contaminação com micotoxinas nocivas à saúde humana e animal.
"Sempre orientamos o produtor a monitorar a lavoura para fazer o manejo de doenças em trigo, mas no caso da giberela a recomendação é monitorar as previsões climáticas para fazer o controle preventivo e evitar que o fungo chegue à espiga", explica a fitopatologista.
Para assegurar a máxima eficácia da barreira química, a proteção da espiga deve ser antecipada. Com previsão de chuvas em um horizonte de 24 a 72 horas, o fungicida deve ser aplicado antes do início das precipitações, repetindo-se a operação após 7 a 10 dias caso novos episódios de chuva estejam previstos.
Adubação nitrogenada assertiva e nutrição equilibrada
O manejo nutricional exerce papel direto na resistência das plantas. A adubação nitrogenada adequada impede o enfraquecimento do vegetal, garantindo suporte energético para resistir à invasão de vírus, bactérias e fungos.
Sob regime de alta pluviosidade, para mitigar as perdas de nitrogênio (N) por lixiviação e escoamento superficial, a pesquisa recomenda o parcelamento do nutriente em três etapas estratégicas: na semeadura, entre a emissão de duas folhas e o início do perfilhamento, e na fase reprodutiva, compreendida entre o perfilhamento e o início do alongamento.
Agronomicamente, o cenário ideal pressupõe a ocorrência de uma lâmina de chuva entre 5 e 10 milímetros antes ou logo após a aplicação em cobertura. Na ausência dessas condições ideais, o produtor deve priorizar dias ensolarados com boa radiação solar para realizar a operação. Em situações de chuvas torrenciais que causem arraste ou percolação excessiva do adubo, a dose perdida deve ser compensada na aplicação subsequente.
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