O mercado futuro da soja retoma o viés altista na manhã desta terça-feira na Bolsa de Chicago (CBOT). De acordo com relatório divulgado pela Granoeste Corretora, o contrato com vencimento em novembro registra valorização de 9 pontos, cotado na faixa de US$ 12,90 por bushel. O movimento busca recompor parte do fôlego perdido na sessão anterior: na segunda-feira, após chegar a operar com ganhos expressivos de até 20 centavos de dólar, a oleaginosa perdeu sustentação com previsões climáticas favoráveis aos trabalhos de campo no Meio-Oeste norte-americano, encerrando o pregão com discretos ganhos de 2 a 3 pontos nos primeiros contratos.
Analistas da consultoria apontam que as atenções globais permanecem concentradas na evolução simultânea das duas maiores safras do planeta. Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura (USDA) reportou que a colheita alcançou 25% da área total semeada, ficando ligeiramente abaixo dos 33% da média histórica de cinco anos, mas com previsão de rápida aceleração nos próximos dias. No radar dos operadores internacionais também segue o comportamento da demanda compradora da China pela safra americana e as projeções meteorológicas sob influência do El Niño sobre a América do Sul.
Soja abre semana em alta na CBOT mas dólar pressiona no país
Mato Grosso semeia 10,2% da soja com atraso devido ao clima
Plantio brasileiro bate 9,4%, real segue valorizado e prêmios aguardam acomodação
No cenário produtivo doméstico, a implantação da safra 2026/2027 avança com ritmo superior ao padrão dos últimos anos. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com dados consolidados até a última sexta-feira, indica que o plantio da soja no Brasil atingiu 9,4% da área estimada, superando os 8,2% observados em igual período do ano anterior e a média histórica de 8,8%.
Apesar do bom andamento nas lavouras, a Granoeste Corretora observa que o ambiente de comercialização segue travado pela reação financeira às eleições brasileiras. A disparada do real superior a 4% no pregão anterior continuou pesando sobre a formação dos preços em moeda nacional. Ao contrário do padrão usual, os prêmios nos portos não reagiram na mesma intensidade para compensar a perda cambial, sinalizando que a ponta compradora prefere aguardar uma estabilização entre câmbio, Chicago e fretes antes de assumir posições agressivas.
As referências para os prêmios portuários operam nos seguintes patamares:
Prêmios no spot: indicados entre 120 e 150 pontos;
Prêmios para novembro: cotados na faixa de 135 a 165 pontos;
Prêmios para dezembro: posicionados entre 135 e 160 pontos.
No balcão físico, as indicações de compra permanecem dispersas e sem grande liquidez. No oeste do Paraná, as ofertas oscilam entre R$ 145,00 e R$ 148,00 por saca. Já no Porto de Paranaguá, os valores situam-se no intervalo de R$ 154,00 a R$ 156,00 por saca, variando de acordo com os prazos de pagamento acordados e, nas praças do interior, conforme a distância logística e o período estipulado para embarque.
