A valorização do grão no mercado internacional devolveu liquidez e dinamismo à comercialização da oleaginosa em Mato Grosso. De acordo com o boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço da saca de soja no estado registrou alta de 1,63%, reflexo direto do suporte verificado na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O movimento reacendeu o interesse vendedor tanto para os saldos da safra 2025/26 quanto para as negociações antecipadas do ciclo 2026/27.
Com a melhora nas propostas de compra, a safra disponível 2025/26 atingiu 96,90% de comercialização, consolidando a liquidação do ciclo anterior. Para a temporada 2026/27, a fixação de lotes também ganhou tração, alcançando 39,12% da produção projetada. O gatilho para a aceleração dos negócios ocorreu nos momentos em que os contratos na CBOT romperam a resistência de US$ 13 por bushel, abrindo margem para travas cambiais e operacionais favoráveis.
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Nova ferramenta ajuda produtor a calcular custos da soja
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressalta que os agricultores utilizaram o fôlego externo como estratégia de gestão de risco financeiro: "Esse movimento de alta ao longo dos últimos meses em Chicago tem trazido um novo fôlego, um novo ânimo para os produtores, tanto na soja disponível quanto na safra futura. Os produtores têm aproveitado esse momento para começar a comercializar um volume maior em relação aos últimos anos, tentando travar um pouco mais dessa soja e acelerando as vendas frente ao mesmo período do ano anterior e à média dos últimos cinco anos."
A estratégia de fixação ganha relevância diante da pressão nos custos agronômicos. O Imea estima o custeio da safra 2026/27 em R$ 4.326,01 por hectare, o que exige uma produtividade de 38,69 sacas por hectare apenas para quitar as despesas operacionais da lavoura. Esse desembolso está 2,08% superior ao consolidado no ciclo 2025/26 (37,90 sacas/ha). Como a aquisição de fertilizantes, sementes e defensivos está praticamente finalizada e o risco climático do El Niño paira sobre a produtividade, garantir preços médios compensadores tornou-se prioridade para proteger as margens.
Plantio começa pelo Oeste sem perspectiva de expansão de área
Apesar da reação nos preços, o Imea descarta qualquer alteração brusca na intenção de plantio em Mato Grosso. Cleiton Gauer pondera que a abertura de novas áreas produtivas requer desembolsos expressivos de capital de longo prazo, inviabilizando decisões estruturais tomadas apenas com base em repiques momentâneos do mercado futuro.
No campo, a semeadura da temporada 2026/27 teve início e alcançou 1,15% da área total estimada até 18 de setembro, superando os 0,55% registrados em igual período do ciclo passado. Os trabalhos avançam de forma pontual, condicionados à presença de umidade no solo para a germinação das sementes. O destaque inicial fica por conta da região oeste do estado — englobando municípios como Sapezal e Campo Novo do Parecis —, que desponta na liderança dos trabalhos ao registrar 2,19% de suas áreas já semeadas.
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