O mercado global de grãos opera sob forte influência das tensões geopolíticas no Leste Europeu e dos resultados parciais da colheita nos Estados Unidos, aponta levantamento da TF Agroeconômica. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o milho atingiu sua máxima de 18 meses após as medições de campo do Pro Farmer Crop Tour indicarem produtividade menor em lavouras de Illinois e Iowa em relação ao ano passado, somando-se ao corte na estimativa da produção mundial pelo Conselho Internacional de Grãos (IGC) para 1,305 bilhão de toneladas.
Esse cenário internacional impulsiona os contratos futuros na B3, com os vencimentos de novembro/26 a R$ 76,88/saca e janeiro/27 a R$ 79,71/saca, aproximando-se da barreira dos R$ 80,00. No mercado físico brasileiro, a consultoria Datagro aponta que o déficit interno de milho deve subir para 7,2 milhões de toneladas diante do salto de 14% no consumo das usinas de etanol de milho (32,49 milhões de toneladas), sustentando os preços mesmo no pico da segunda safra.
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Bloqueios logísticos no Leste Europeu acendem alerta para o trigo
A situação mais crítica da geopolítica concentra-se no mercado de trigo. Ataques militares e restrições de navegação nos portos ucranianos e russos do Mar Negro, Mar de Azov e Rio Danúbio praticamente paralisaram as exportações na região no momento em que os embarques deveriam atingir o pico da temporada. A Ucrânia revisou sua projeção de exportação agrícola para agosto de 5,0 milhões para apenas 1,5 milhão de toneladas, enquanto a consultoria SovEcon informou que a capacidade russa no Mar Negro recuou de 3,3 milhões para 250 mil toneladas mensais.
Diante do gargalo internacional e do corte na safra global para 817 milhões de toneladas pelo IGC, compradores começam a buscar origens alternativas, como trigo francês e da América do Sul. Para o Mercosul, a TF Agroeconômica consolida uma projeção de oferta total 22,69% menor para o ciclo 2026/27 (29,62 milhões de toneladas), quadro que mantém os moinhos brasileiros em alerta e os vendedores cautelosos em novas fixações.
Soja: suporte no dólar, demanda da China e firmeza no interior
No complexo soja, as oscilações em Chicago mantiveram-se contidas, equilibradas pelas compras consistentes da China — que adquiriu 1,13 milhão de toneladas na safra nova (2026/27) — e pela alta no óleo de soja (+1,89%), impulsionado pelo petróleo bruto.
No mercado interno, a TF Agroeconômica relata que os produtores seguem segurando as vendas físicas à espera de melhores momentos, sustentando as cotações nas praças regionais. No Paraná, os preços no interior registraram altas diárias de até 1,5%, com Cascavel a R$ 144,00/saca e Paranaguá a R$ 154,63/saca FOB, enquanto a Abiove revisou para cima a exportação brasileira de farelo de soja para o patamar recorde de 25,3 milhões de toneladas.
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