Acompanhando o cenário projetado desde o encerramento do ano passado sobre a oferta de gado em 2026, o mercado segue confirmando a retração de animais disponíveis para o processamento industrial. Esse movimento de encurtamento da oferta fica evidente nos números consolidados pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), que apontam recuo consistente no volume de animais abatidos no estado detentor do maior rebanho do país.
Em julho, os abates totais em Mato Grosso somaram 609,93 mil cabeças, uma queda de 7,11% em comparação a julho de 2025. O grande vetor dessa redução foi o abate de fêmeas (vacas e novilhas), que somou 263,14 mil animais — expressiva retração de 12,69% frente a junho de 2026 e de 17,11% na comparação anual com julho de 2025.
Carne bovina de MT atinge 88 destinos e receita salta 63% no 1º semestre
Preço alto da carne bovina limita queda na receita das exportações
Esse comportamento reflete a aceleração da retenção de fêmeas pelos pecuaristas, confirmando as previsões técnicas de transição para a fase de valorização do ciclo pecuário. A participação das fêmeas no volume total abatido em Mato Grosso, que alcançava 48,67% em junho, recuou para 43,15% em julho. Em contrapartida, os abates de machos (bois e novilhos) somaram 346,68 mil cabeças, registrando leve alta anual de 2,25%.
Valorização da tonelada e câmbio garantem faturamentos históricos
Mesmo operando com capacidade ociosa nas plantas e enfrentando maior disputa pela compra de matéria-prima no campo, os frigoríficos exportadores seguem registrando faturamentos históricos, tanto em dólares quanto em moeda nacional. A sustentação da receita é impulsionada pela combinação de uma taxa de câmbio favorável com a expressiva elevação do valor médio da tonelada de carne bovina comercializada no mercado internacional.
No front externo, embora as compras chinesas tenham desacelerado em julho e devam manter ritmo mais contido em agosto e setembro devido ao limite da cota tarifária, a diversificação de destinos tem garantido a precificação do produto nacional. A aceleração dos embarques para mercados como Estados Unidos, Rússia e Chile vem puxando as cotações para cima.
Nos primeiros cinco dias úteis de agosto, o Brasil exportou 52,4 mil toneladas de carne bovina, recuo de 17,9% frente ao mesmo intervalo de 2025. Contudo, o preço médio da tonelada atingiu US$ 6.200, um salto expressivo de 10,5%, compensando o menor volume com ganhos reais de rentabilidade por unidade embarcada.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
