Com uma produção consolidada pelo IBGE na safra 2025 em 13,1 milhões de toneladas de soja (5º lugar nacional) e 13,8 milhões de toneladas de milho (4º lugar nacional), Mato Grosso do Sul intensifica o processamento agroindustrial dentro do próprio estado para superar entraves históricos de armazenagem e frete logístico.
A transformação local das matérias-primas resulta em coprodutos proteicos de alto valor de mercado: o farelo e o óleo de soja, derivados do esmagamento, e o DDG (Dried Distillers Grains), coproduto gerado na destilação do milho para etanol.
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Uma análise econômica da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) demonstra o retorno financeiro dessa estratégia: enquanto o grão de soja in natura era negociado a US$ 0,44/kg em junho, o óleo bruto valia US$ 1,18/kg e o farelo, US$ 0,37/kg. Como cada quilo da oleaginosa rende em média 19% de óleo e 79% de farelo, o valor equivalente do quilo processado salta para US$ 0,51, garantindo um ganho adicional de US$ 0,07 por quilo em relação à exportação direta do grão bruto.
Avanço nos embarques e competitividade internacional
Os dados de exportação de Mato Grosso do Sul apontam crescimento contínuo nos volumes embarcados de farelo de soja no primeiro semestre de 2026, com os meses de abril, maio e junho superando 100 mil toneladas mensais.
O analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, explica que a acomodação recente nas cotações médias atua a favor da demanda:
"A queda no preço médio, nesse caso, funciona como uma ferramenta para estimular a demanda pelo grão processado e acelerar a industrialização do setor no Estado. Preço mais competitivo significa mais mercado, e mais mercado significa mais investimento em processamento aqui dentro de Mato Grosso do Sul."
DDG em alta e demanda aquecida na Europa
O mercado de resíduos de milho registra comportamento equivalente. As exportações de DDG pelo estado apresentaram crescimento no início de 2026, com ápice de movimentação em abril e preços médios valorizados após recuperação iniciada em 2025.
No mercado externo, o aumento das exigências socioambientais impulsiona as compras. Países europeus como a Holanda, que vêm reduzindo rebanhos para cumprir metas ambientais e demandam dietas de alta densidade nutricional por cabeça, ampliaram a importação de farelo vegetal, movimento acompanhado também pela aquicultura continental. Essa transição consolida Mato Grosso do Sul como polo gerador de produtos de maior valor agregado, reduzindo a dependência da venda primária de grãos.
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