O avanço tecnológico e a profissionalização gerencial estão redefinindo a cafeicultura em Mato Grosso, com destaque para a expansão da renda nas pequenas propriedades rurais. Celebrando o Dia Internacional do Café, em 1º de outubro, o Sistema Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso) apresentou um balanço dos resultados obtidos por meio do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Cafeicultura, conduzido pelo Senar MT. A iniciativa atende atualmente 261 propriedades distribuídas em seis municípios estratégicos da região Noroeste: Colniza, Juína, Aripuanã, Cotriguaçu, Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde.
O impacto econômico do suporte em campo reflete-se diretamente na rentabilidade do cafeicultor. No intervalo entre abril e julho deste ano, um grupo de 219 propriedades assistidas comercializou 19,4 mil sacas de café, gerando um faturamento bruto conjunto de R$ 16,2 milhões. Deduzidos os custos operacionais efetivos, a atividade alcançou uma expressiva margem econômica média de 73% no período.
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O gerente de Assistência Técnica do Senar MT, Bruno de Faria, ressalta que as ações de transferência de tecnologia e capacitação — como as edições do Workshop do Café realizadas recentemente em Juína e em Colniza — são essenciais para transformar volume em valor comercial agregado:
“É uma oportunidade de mostrar o trabalho da nossa assistência técnica nos municípios onde atuamos. A capacitação é fundamental para que o produtor possa aprimorar sua produção e entregar ao consumidor um café com a qualidade que o mercado busca”, afirmou Faria.
Produtividade clonal compensa área e Conab projeta 268,9 mil sacas
De acordo com o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de café de Mato Grosso em 2026 está estimada em 268,9 mil sacas (recuo de 3,5% frente a 2025), posicionando o estado no 9º lugar do ranking nacional. Mesmo com o reajuste na área em produção para 10,3 mil hectares, as lavouras mato-grossenses registraram um salto de 10,8% na produtividade média, atingindo 26,1 sacas por hectare. O ganho vertical é fruto direto da introdução acelerada de mudas clonais de Coffea canephora (conilon e robusta amazônico) e do regime hídrico favorável nas etapas de floração e enchimento de grãos.
O equilíbrio financeiro na porteira segue como métrica indispensável. Análise do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) calculou o custo médio anual de produção do café canéfora no estado em R$ 11,5 mil por hectare no segundo trimestre de 2026, variando conforme a idade do pomar. A supervisora da ATeG, Cristiani Bernini, reforça que a busca cega por volume não pode comprometer a pós-colheita:
“A orientação é buscar equilíbrio entre produtividade e qualidade. A produção de mais sacas, por si só, não significa maior renda se houver perda no padrão do café. O produtor precisa conhecer seus custos, manejar a lavoura de forma adequada e trabalhar para entregar um produto de qualidade, que tenha maior valor de mercado”, detalhou Bernini.
Na principal praça produtora do estado, o presidente do Sindicato Rural de Colniza, Antônio Melo, aponta que o próximo gargalo a ser superado é fora da fazenda:
“A cafeicultura vem crescendo muito em Colniza, e esse evento é importante para fortalecer o produtor, levar tecnologia e melhorar a qualidade da produção. Hoje, temos o desafio da logística, porque a estrutura ainda não acompanha esse crescimento. Produção nós temos; agora, precisamos trabalhar para protegê-la e criar condições para que ela avance ainda mais”, alertou Melo.
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