A suinocultura brasileira consolidou um novo marco histórico de produtividade ao abater 60,69 milhões de animais em 2025, expansão de 4,3% frente ao ciclo anterior e o maior patamar já registrado pelo IBGE desde o início da série em 1997. O ritmo acelerado manteve-se no primeiro trimestre de 2026, com 15,27 milhões de cabeças processadas (+5,5%). Em Mato Grosso do Sul, polo que adicionou 324,6 mil suínos ao balanço recente, a expansão física dos plantéis escancara um gargalo estrutural: a escassez e a alta rotatividade de mão de obra capacitada para operar granjas altamente tecnificadas.
O desafio central da cadeia produtiva esteve em debate no 8º Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, promovido pela Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (Asumas), em Dourados. Lideranças de cooperativas, empresas de genética e órgãos de capacitação convergiram no diagnóstico de que a disputa por trabalhadores não se resolve apenas com remuneração financeira, mas exige modernização na gestão de pessoas, melhoria nas condições de moradia rural, conectividade e planos claros de progressão de carreira.
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O diretor executivo da Agroceres PIC, Alexandre Rosa, destacou durante o encontro que o setor precisa reorientar suas prioridades corporativas: "Atrair não é o problema. A retenção é o desafio."
Segundo o executivo, a diversidade geracional e a presença feminina — que já atinge cerca de 60% das equipes nas unidades da companhia — demandam líderes preparados para gerir equipes multidisciplinares e apresentar perspectivas reais de ascensão profissional.
Automação e a nova rotina das granjas
A incorporação de climatização automatizada, alimentação robotizada e ferramentas digitais de biosseguridade não elimina postos de trabalho, mas extingue tarefas manuais repetitivas e insalubres. O suinocultor e diretor da Asumas, Milton Bigatão, ressalta que as rotinas de campo migraram da força física para a análise de parâmetros zootécnicos e operação de painéis digitais, exigindo reciclagem constante dos colaboradores.
Nesse cenário, a qualificação profissional assume papel decisivo. O Senar/MS, que já capacitou mais de 2 mil pessoas na atividade em quatro anos por meio de sete cursos dedicados, desenvolveu em conjunto com a Asumas o programa Trilha do Conhecimento, estruturado em módulos ágeis e contínuos. O superintendente do Senar/MS, Lucas Galvan, avalia que o agronegócio concorre tanto com outros polos agropecuários quanto com o meio urbano:
Conexão com propósito: Trabalhadores mais jovens demandam integração à cultura da empresa e identificação com o negócio;
Fatores além do salário: Habitação de qualidade, infraestrutura de lazer, acesso à internet e ambiente corporativo saudável pesam na decisão de permanência;
Competências comportamentais: A formação técnica precisa vir acompanhada de relações interpessoais e capacidade de adaptação às mudanças tecnológicas.
Com granjas operando em escalas industriais e margens dependentes de precisão zootécnica, a retenção de equipes treinadas deixa de ser rotina de recursos humanos e consolida-se como ativo de biosseguridade e produtividade.
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