A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) sediou nesta quinta-feira (20) o encontro promovido pelo Ministério Público Federal (MPF) para divulgar os resultados do 3º ciclo unificado de auditorias do TAC da Carne na Amazônia Legal. O Termo de Ajustamento de Conduta estabelece diretrizes e critérios socioambientais para a aquisição de bovinos por plantas frigoríficas, monitorando a conformidade legal dos fornecedores em todo o estado.
Os dados consolidados foram apresentados pelo procurador da República Erich Masson. Dos 14 frigoríficos notificados para prestar contas, 13 apresentaram relatórios formais, totalizando uma cobertura de 82% de todo o volume de gado abatido em Mato Grosso, detentor do maior rebanho bovino do Brasil.
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O procurador detalhou a abrangência do levantamento:
"Nos dois anos avaliados no terceiro ciclo, foram consideradas 13,8 milhões de cabeças abatidas, das quais mais de 11 milhões foram auditadas. Os dados também indicam que as ocorrências relacionadas ao desmatamento ilegal tiveram menor participação entre as não conformidades identificadas."
Famato cobra previsibilidade, validação do CAR e inclusão do pequeno produtor
Durante as discussões, o gestor jurídico da Famato, Rodrigo Bressane, reiterou o alinhamento da classe produtora com a legislação ambiental, mas pontuou que o avanço da conformidade exige regras claras, prazos compatíveis e procedimentos padronizados para garantir estabilidade operacional no campo.
Bressane chamou a atenção para o risco de exclusão de pequenos pecuaristas que carecem de suporte técnico especializado, defendendo canais acessíveis de orientação e períodos de transição adequados. Além disso, o dirigente enfatizou que a aceleração na análise e validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) pelos órgãos ambientais é indispensável para destravar a regularização definitiva das propriedades.
Exportações em alta e responsabilidade compartilhada
A consolidação do TAC da Carne ganha relevância diante da expansão das vendas externas da pecuária mato-grossense. Dados do Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac) mostram que o estado exportou carne bovina para 88 países no primeiro semestre de 2026, gerando receita de US$ 2,4 bilhões — superando o primeiro semestre de 2025, quando 77 destinos haviam gerado US$ 1,47 bilhão.
Para a Famato, a conformidade socioambiental deve ser encarada como uma responsabilidade compartilhada por todos os elos da cadeia produtiva, do produtor aos frigoríficos e distribuidores, sustentando a competitividade e o acesso aos mercados globais mais exigentes.
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