Goiânia caminha para se consolidar como o terceiro maior polo de aviação agrícola do Brasil, impulsionada pela expansão contínua da frota nas lavouras e por sua infraestrutura de manutenção aeronáutica. O momento favorável do estado motivou a realização do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (Avag) 2026, organizado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), no Condomínio Aeronáutico Liberty, em Goianápolis (a 60 km da capital).
O evento reuniu 200 expositores, cerca de cinco mil participantes e representantes de 12 países, apresentando novidades em aeronaves, drones, sistemas eletrônicos e tecnologias digitais. A programação contou com a participação de fabricantes internacionais como Thrush e Air Tractor, soluções autônomas como o avião não tripulado Pyka, além de demonstrações técnicas com helicópteros e aviões.
Uso de drones no canavial fortalece manejo de pragas e reduz insumos em GO
Nova cartilha orienta produtores sobre uso correto de drones no campo
Gabriel Colle, diretor-executivo do Sindag, explica os motivos da escolha da sede:
"É um congresso itinerante, que sempre acontece em uma cidade diferente, e Goiás é um dos estados com maior crescimento da frota agrícola. Além disso, Goiânia tem grande rede de manutenção de aeronaves em geral, sendo um polo aeronáutico do Brasil."
Posição no ranking nacional e ritmo de crescimento da frota
Atualmente, Goiás conta com mais de 300 aviões agrícolas, ocupando a quarta posição no ranking nacional de frotas, atrás apenas de Mato Grosso, Rio Grande do Sul e São Paulo. Pelas projeções do Sindag, o estado deve ultrapassar São Paulo no próximo ano, assumindo o terceiro posto.
No panorama geral, o Brasil possui quase 3 mil aeronaves agrícolas — a segunda maior frota do planeta, superada apenas pelos Estados Unidos. De acordo com o diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, a pulverização aérea já responde por 20% a 25% de todas as aplicações agrícolas no território nacional.
A frota de aeronaves tripuladas avança a uma taxa média de 4,16% ao ano, tendo registrado alta de 5,2% no último ano, com 34% dos aparelhos tendo menos de dez anos de uso. A capacidade operacional atual cobre mais de 140 milhões de hectares, com potencial para atingir 150 milhões de hectares, devendo superar a marca de 3 mil aviões tripulados nos próximos dois anos.
Em Goiás, o aquecimento da demanda é sustentado pela intensidade produtiva de até três safras anuais e pelo emprego das aeronaves no combate a incêndios florestais e em lavouras.
Avanço dos drones e novos perfis de produtores
O segmento de aviação agrícola não tripulada também expande sua presença no campo, com crescimento de mais de 30% no último ano, após ter registrado um salto de 117% em 2024.
A tecnologia atende desde operações autônomas até voos guiados por controle remoto, atuando em diferentes escalas:
Capacidade de carga: drones operam com reservatórios de 20 a 300 litros de insumos, enquanto os aviões tripulados transportam de 600 a 3.000 litros;
Substituição de maquinário: os equipamentos não tripulados passam a substituir parte das pulverizações terrestres com máquinas pesadas e já integram o planejamento de propriedades da agricultura familiar.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
