Expedição Safra Goiás indica queda na produtividade da soja
Levantamento aponta atraso no plantio, custos elevados e pressão sobre a rentabilidade do produtor rural goiano
Expedição Safra percorreu mais de 30 municípios goianos para avaliar o desempenho das lavouras de soja. Foto: Canva
A Expedição Safra Goiás 2025/2026 identificou queda na produtividade da soja, custos elevados de produção e redução da margem de lucro no estado. A iniciativa percorreu mais de 30 municípios nas rotas Leste e Oeste, reunindo dados técnicos sobre o atual cenário das lavouras.
Segundo o levantamento, a produtividade média da soja em Goiás deve ficar entre 66,5 e 68,5 sacas por hectare. O número representa leve recuo frente à safra anterior, quando o estado registrou média próxima de 70 sc/ha.
Apesar disso, Goiás segue entre os estados mais produtivos do país. Ainda assim, fatores climáticos comprometeram o desempenho da atual safra. O principal deles foi o atraso no início das chuvas, que postergou o plantio em até duas semanas em relação à média histórica.
De acordo com o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, esse atraso afetou especialmente as lavouras implantadas no início do período. Além disso, a irregularidade das precipitações agravou o cenário em algumas regiões.
O atraso no plantio da soja também reduziu a janela da segunda safra. Como consequência, culturas como milho e sorgo podem enfrentar maior risco hídrico no final do ciclo. Mesmo assim, a produção total de soja em Goiás deve alcançar cerca de 20,5 milhões de toneladas, mantendo o estado em posição de destaque nacional.
A evolução histórica reforça esse protagonismo. A produtividade saltou de 29 sc/ha na safra 1978/79 para patamares próximos de 70 sc/ha nas últimas temporadas. Esse avanço reflete investimentos contínuos em pesquisa, inovação e tecnologia no campo.
Custos elevados pressionam a rentabilidade
Outro ponto crítico identificado pela Expedição Safra é o aumento do custo de produção, aliado à queda nos preços das commodities. Para a safra 2025/26, o custo médio da soja em Goiás chega a 55 sacas por hectare, sem considerar despesas com arrendamento.
Quando há arrendamento, a margem do produtor fica ainda mais comprometida. A estimativa aponta margem líquida de 17%, a menor dos últimos anos. Segundo Schreiner, o produtor enfrenta um cenário de forte pressão financeira.
Além disso, os juros elevados, com Selic em 15% e taxas de mercado próximas de 20%, têm levado os agricultores a reduzir investimentos, especialmente na segunda safra. Essa cautela pode limitar o uso de tecnologia e impactar a produtividade no médio prazo.
O gerente do Ifag, Léo Machado, destacou que as equipes encontraram lavouras em diferentes estágios fenológicos. Esse descompasso reflete diretamente o atraso e a irregularidade das chuvas ao longo do ciclo.
Segundo ele, enquanto algumas áreas já foram colhidas, outras ainda estão em fase inicial de desenvolvimento. Por isso, o acompanhamento técnico se torna ainda mais importante.
A segunda etapa da Expedição Safra, prevista para julho, irá avaliar o desempenho do milho. A expectativa é identificar possíveis impactos do calendário agrícola sobre a segunda safra.
Por fim, a Expedição Safra reforça seu papel de subsidiar decisões do produtor rural, oferecendo informações técnicas que ajudam no planejamento em um cenário cada vez mais desafiador para a agricultura.
