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Sistema FAEP critica apagões no campo e lucro da Copel

Para a FAEP, produtores rurais do Paraná acumulam prejuízos com quedas de energia, enquanto a Copel registra lucro bilionário

Sistema FAEP critica apagões no campo e lucro da Copel

Avicultor perdeu 800 frangos após oscilações de energia comprometerem o funcionamento do gerador na propriedade. Foto: Sistema FAEP / Divulgação

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Foto do autor Redação RuralNews
03/03/2026 |

O Sistema FAEP afirma que há um descompasso entre o lucro da Copel e a qualidade do serviço prestado ao meio rural do Paraná. Segundo a entidade, produtores enfrentam quedas recorrentes e oscilações no fornecimento de energia elétrica, que têm provocado prejuízos milionários em todas as regiões do Estado.

Enquanto agricultores e pecuaristas relatam perdas por mortalidade de animais, descarte de produção e queima de equipamentos, a Copel registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões em 2025. Para a FAEP, o desempenho financeiro não condiz com a realidade vivida dentro das propriedades rurais.

Conforme relatos encaminhados por sindicatos rurais e prefeituras, os problemas incluem morte de peixes e frangos, perda de leite e danos a motores, bombas de irrigação, climatizadores, painéis de controle e resfriadores. O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, sustenta que as falhas se tornaram frequentes e que o prejuízo acaba recaindo exclusivamente sobre o produtor.

Privatização sob questionamento

Em 2023, a Copel foi privatizada, com arrecadação de R$ 3,1 bilhões ao governo estadual por meio da venda de ações na bolsa, em São Paulo. À época, a promessa era ampliar a competitividade do setor elétrico e beneficiar os consumidores paranaenses. Atualmente, a companhia atende 4,5 milhões de unidades consumidoras em quase 400 municípios do Paraná e de Santa Catarina.

Contudo, segundo a FAEP, no meio rural o cenário é de deterioração do serviço, com propriedades que chegam a ficar dias sem energia.

Relatos de prejuízos no Oeste

No distrito de Iguiporã, em Marechal Candido Rondon, o avicultor Pedro Riffel perdeu 800 frangos após oscilações no fornecimento que comprometeram o funcionamento do gerador. O prejuízo chegou a R$ 10 mil em um único episódio. Mesmo após o ocorrido, ele relata que as “piscadas” de energia continuam frequentes, gerando gastos anuais de manutenção que somam cerca de R$ 12 mil.

Também em Marechal Cândido Rondon, o piscicultor Hilário Schoninger enfrentou perdas severas. Em um dos episódios, a falta de energia resultou na morte de 100% da produção, equivalente a 52 toneladas de peixes, com prejuízo estimado em R$ 250 mil. Posteriormente, ele investiu R$ 100 mil em um gerador automático, que consome 12 litros de diesel por hora e já chegou a funcionar por dois dias seguidos devido à ausência de energia.

Em Nova Santa Rosa, o produtor Tiago Zeretski afirma que as interrupções podem durar até 72 horas. Segundo ele, a rede é antiga e apresenta problemas estruturais. Nos últimos anos, o investimento em geradores ultrapassou R$ 60 mil por equipamento.

Já em Ribeirao Pinhal, a produtora Rosivani Olímpio ficou cinco dias consecutivos sem energia durante o Carnaval, situação que comprometeu o abastecimento de água da propriedade, que depende de bomba elétrica para atender 70 cabeças de gado. Caso semelhante foi relatado por Simone Carvalho de Paula, de Rondon, que estima prejuízo de R$ 6 mil com a queima de equipamentos.

Para o Sistema FAEP, os episódios demonstram que os problemas são recorrentes e generalizados no campo paranaense. A entidade afirma que continuará cobrando soluções e melhorias no fornecimento de energia elétrica para o meio rural.

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Editor RuralNews
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TAGS: #Sistema FAEP # Apagões
# Campo # Copel # Paraná # PR
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