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O drama das chuvas no Sul não atinge apenas a economia local

Claudio Felisoni

Embora seja cedo para calcular os prejuízos da tragédia climática que atinge o Rio Grande do Sul, é possível ao menos sinalizar algumas condições futuras para um dos mais importantes setores para a economia nacional, ou seja, o Agronegócio. O setor exportou em 2023 produtos no valor de US$ 167 bilhões em números redondos, ou seja, quase metade da pauta exportadora total.

Considerando uma estimativa da área destinada à produção de grãos e proteína animal, o Estado do Rio Grande do Sul ficaria entre os dez ou quinze maiores produtores. Estima-se que o estado destina, dos 280.000 km2 do agronegócio, 250.000 km2 para a produção de arroz, milho, trigo e soja. Nessa condição o estado se posiciona como o maior produtor brasileiro de arroz e trigo, o terceiro mais importante na oferta de soja, e o décimo primeiro no plantio de milho.


Portanto, o drama vivido no Sul não atinge apenas em cheio a economia local, mas seus reflexos se estendem para as demais regiões e, também, é claro afetam sensivelmente as condições das contas nacionais.

A competitividade no agronegócio brasileiro será impactada, mas internamente suas consequências serão ainda mais pronunciadas, ao menos no curto prazo. Isso se deve principalmente ao comprometimento na disponibilidade de arroz. O produto, 70% proveniente do Rio Grande do Sul, é um dos itens mais importantes na formação do IPCA, pesando mais acentuadamente no orçamento das famílias menos abastadas. Em que pese o fato de a maior parte já ter sido colhida os seríssimos obstáculos à mobilidade reduzem a oferta e elevam o preço médio do arroz em todo País.
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Os impactos imediatos, restrições da oferta, destruição da infraestrutura e desarticulação dos processos, infelizmente e evidentemente, não são os únicos para o agronegócio brasileiro. A longo prazo o desastre climático deve empobrecer a qualidade do solo. A força da água ao mesmo tempo que varre a superfície, diminuindo a quantidade de nutrientes, também contamina essas áreas com substâncias poluentes presentes na enxurrada.

Evento dessa magnitude não é resultante da imprevisibilidade. Quando, como e qual a intensidade sim, é difícil prever. Mas, é sabido que podem ocorrer. Aliás em 1941 já aconteceu. Por isso uma grande obra de engenharia foi realizada de modo a deter a força avassaladora da água. Entretanto, tudo indica que, como sempre acontece, não se cuidou adequadamente da manutenção do sistema.

Jared Diamond, antropólogo, escreveu dois livros orientados pela mesma ideia: “Armas, germes e aço” e “Colapso”. Sinteticamente pode-se depreender desses dois interessantes textos que estudar o passado nos ensina o que evitar e o que emular. Ao que parece ou não estudamos ou então temos dificuldades de compreensão. Muito provavelmente, observando o papel e o desempenho do estado no cuidado com a coisa pública, é a soma de ambos, isto é, leniência e incompetência.Claudio Felisoni é presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School



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#Chuvas
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