UFSM inova na pesquisa de clones de erva-mate

Principal objetivo é estabelecer clones da cultura utilizando a técnica de miniestaquia e disponibilizá-los para os produtores
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Publicado em 12/03/2024

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e o Instituto Brasileiro de Erva-Mate (Ibramate) firmaram parceria que tem como foco a pesquisa com clones de erva-mate. Com a utilização de uma técnica na qual a universidade é pioneira, a intenção é atingir um novo patamar no que se refere à produção destes clones, beneficiando, por meio de tecnologias de clonagem, toda a cadeia produtiva.

O professor do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Rurais (CCR), Dilson Antônio Bisognin, coordenador do projeto e líder do Grupo de Pesquisa em Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas, explica que o principal objetivo é estabelecer clones da cultura utilizando a técnica de miniestaquia e disponibilizá-los para os produtores, em parceria com o Ibramate e empresas ervateiras gaúchas.Embora a UFSM já tenha diversos trabalhos desenvolvidos com indústrias do setor, a parceria com o Ibramate é mais recente: este é o segundo projeto em conjunto, com aporte de R$ 60 mil provenientes do Fundomate e prazo de duração de 24 meses. Mas, o professor explica que, considerando o tempo necessário para o desenvolvimento das plantas, os resultados desses materiais poderão ser consolidados no prazo de oito a dez anos. Portanto, trata-se de um estudo de médio a longo prazo.
Pesquisas são realizadas no Laboratório de Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas
Pesquisas são realizadas no Laboratório de Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas

Histórico consolidado

A UFSM já tem um histórico consolidado neste ramo. Os estudos com erva-mate no Campus Sede remontam ao início dos anos 2000, inicialmente com orientação de alunos de pós-graduação. Atualmente, no jardim clonal de erva-mate do Departamento de Fitotecnia, já são produzidas mudas. Recentemente foi concluído outro projeto, também em parceria com o Ibramate, voltado ao estudo da concentração de fitoquímicos no produto e de como isso varia nos diferentes polos ervateiros. “Aqui no Campus Sede, a erva-mate é tratada em diversos aspectos dentro da cadeia produtiva, vinculado a produtores e à indústria. Estamos buscando as principais demandas da cadeia e tentando resolvê-las”, ressalta.Centralizadas no Departamento de Fitotecnia do CCR, especialmente no Laboratório de Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas (MPVP), as pesquisas relacionadas à erva-mate são interdisciplinares. O Departamento de Química, por exemplo, é parceiro para a análise de fitoquímicos e outros compostos existentes no produto, enquanto no Departamento de Solos também são realizadas análises. Já com o Setor de Paisagismo, a parceria é para a utilização da erva-mate na recomposição de áreas com plantas nativas.

Inovação da UFSM

A criação de clones de erva-mate por miniestaquia utilizando sistema fechado de cultivo sem solo, desenvolvido pelo coordenador do projeto, é uma inovação significativa. De acordo com ele, a miniestaquia é uma variação da técnica da estaquia, um método de propagação vegetativa de plantas que consiste no plantio de pequenas propágulos oriundos de caule, raízes ou folhas que, em condições adequadas, desenvolvem-se em novas plantas.A diferença é que a miniestaquia usa, primeiramente, pedaços de plantas menores, oriundos de plantas que já foram propagadas por alguma técnica, como a estaquia. “A miniestaquia a partir de plantas conduzidas em minijardim clonal no sistema fechado de cultivo, com areia como substrato, é uma tecnologia única da UFSM. Realizamos muitos estudos para, por exemplo, definir quando coletar essas brotações, qual é o tamanho das miniestacas, qual é o substrato que vamos utilizar para o enraizamento, quais as condições de enraizamento etc.”, destaca.Em seguida, passa-se para a etapa do clone, que é a propagação vegetativa de uma planta idealmente selecionada para as suas características. A vantagem do clone é que se trata de uma cópia genética idêntica da planta de onde foi retirada a miniestaca. “A partir do momento que identificamos uma planta que é boa para ser produzida comercialmente, nós vamos multiplicá-la e podemos produzir grandes áreas somente com aquela genética, com plantas mais produtivas, que resultem em um produto comercial de melhor qualidade”, afirma Bisognin.

A saúde de quem não dispensa um chimarrão também é uma preocupação. O professor exemplifica que, se o produto precisar de maiores teores de fitoquímicos, que são metabólitos secundários produzidos pelas plantas de erva-mate, como antioxidantes, as plantas serão trabalhadas com este direcionamento, pelos efeitos benéficos para a saúde dos consumidores.

Clones para todo o RS

Com a produção de mudas na UFSM, deverão ser estabelecidos povoamentos clonais em várias regiões do Estado. Segundo Bisognin, há cinco polos ervateiros gaúchos, e a intenção é levar os clones a cada um deles, considerando as especificidades de cada ambiente, como tipo de solo, relevo, fertilidade e disponibilidade hídrica. Na região de Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo, por exemplo, os produtores utilizam cultivos anuais nas entrelinhas da erva-mate, o que pode afetar a produtividade e a qualidade do produto. “Temos manejos diferentes, condições diferentes, e deverá haver uma interação entre os clones que estamos produzindo e as práticas de manejo que mais se adaptam”, relata.“Vamos melhorar a produtividade e a qualidade da produção de erva-mate no Rio Grande do Sul, impactando diretamente a indústria e o produtor”, afirma o professor, lembrando que o trabalho está conectado a demandas da cadeia produtiva. O financiamento via Fundomate atesta a relevância do estudo. “Essa forte conexão com o setor produtivo nos fortalece como Instituição junto aos produtores e à indústria ervateira”, ressalta.


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