Por que tantas marcas de café foram proibidas em 2025?
Reforço da fiscalização revelou fraudes, riscos sanitários e rotulagem enganosa, levando à retirada de toneladas de produtos do mercado
Fiscalização mais rigorosa em 2025 levou à proibição de marcas de café por fraudes, riscos sanitários e rotulagem enganosa. Foto: Anffa Sindical / Divulgação
O crescimento no número de marcas de café proibidas em 2025 está diretamente ligado ao endurecimento da fiscalização e ao avanço de práticas fraudulentas no setor. A avaliação é de auditores fiscais federais agropecuários, após operações conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Ao longo do ano, as fiscalizações identificaram irregularidades relacionadas à qualidade do produto, riscos à saúde do consumidor e informações enganosas nos rótulos. Entre os principais problemas estavam o descumprimento de padrões legais e a comercialização de produtos que não correspondiam à definição oficial de café.
Segundo Janus Pablo Macedo, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), parte das marcas analisadas apresentou falhas graves. “Foram encontrados níveis de micotoxinas acima do permitido, excesso de impurezas e produtos que não correspondiam ao que era informado no rótulo”, afirma.
As micotoxinas, como a ocratoxina A, surgem principalmente devido a falhas na secagem e no armazenamento dos grãos. Essas substâncias representam risco à saúde e tornam o produto impróprio para consumo humano. Além disso, as fiscalizações também identificaram fraudes mais severas, com a venda de itens rotulados como café, mas elaborados a partir de resíduos e subprodutos de baixo custo.
Fiscalização mais rigorosa e denúncias
De acordo com Macedo, o aumento das proibições resulta da combinação entre práticas irregulares e ações mais estruturadas de fiscalização. “O trabalho dos auditores foi intensificado, com operações baseadas em análise de risco, além do apoio de denúncias feitas por consumidores e entidades do setor”, explica.
As ações incluem coleta de amostras, inspeções em fábricas, análises laboratoriais e verificação detalhada da rotulagem, desde a composição até a origem do produto.
O que mostram os dados oficiais
Levantamento do Mapa ao longo de 2025 indica que, no segmento de café em grão cru, foram identificadas fraudes relacionadas à baixa qualidade e à presença de impurezas acima do limite legal. Nesse caso, cerca de 68 toneladas de produtos foram apreendidas.
Já no café torrado e moído, as irregularidades envolveram o uso de ingredientes impróprios para consumo humano, como palha de café, milho e resíduos de açaí. Ao todo, aproximadamente 36 toneladas foram retiradas do mercado.
Principais irregularidades encontradas
Entre os problemas mais recorrentes estão falhas nas boas práticas de fabricação, uso de matéria-prima inadequada, ausência de controle de contaminação e rotulagem que induz o consumidor ao erro. “Em alguns casos, a pessoa acredita estar comprando café puro, quando o produto não atende a essa definição”, destaca Macedo.
Orientação ao consumidor
Os órgãos de fiscalização orientam que o consumidor não utilize produtos classificados como impróprios para consumo humano e acompanhe os alertas oficiais divulgados pelo Mapa e pela Anvisa.
“Se um produto irregular ainda estiver sendo comercializado, a recomendação é formalizar denúncia aos órgãos competentes. Caso o item já tenha sido adquirido, o consumo deve ser imediatamente interrompido”, reforça o presidente do Anffa Sindical.
Outra medida importante é verificar se a empresa torrefadora possui registro ativo no sistema público do Mapa. Esse procedimento ajuda a garantir a rastreabilidade e aumenta a segurança sanitária na escolha do produto.
