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MAPA quer fazer de conta que Brasil é livre de febre aftosa

O ministro Carlos Fávaro e o vice-presidente Geraldo Alckmim anunciaram em cerimônia no dia 02/04 que o Brasil é livre de febre aftosa, mesmo sem o reconhecimento internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA)

O Brasil se torna livre de febre aftosa sem vacinação. A veracidade dessa informação levaria o país a um status almejado pelo mercado, beneficiando a economia e, principalmente, os pecuaristas brasileiros. Porém, mesmo sem ser verdade, o anúncio do suposto novo status sanitário do país foi realizado na quinta-feira (02/04), pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin em cerimônia em Brasília.

Porém, o novo status só pode ser confirmado pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal) e, se vier, será somente em 2025, já que no atual momento o está ainda executando seu Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PE-PNEFA), que tem o objetivo, aí sim, de tornar o país totalmente livre da doença sem vacinação.
Somente os estados de SC, RS, AC, RO e partes do AM e do MS têm o reconhecimento internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação pela OMSA
Somente os estados de SC, RS, AC, RO e partes do AM e do MS têm o reconhecimento internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação pela OMSA

No momento atual, 12 unidades da Federação e parte do estado do Amazonas suspenderam a imunização com vacinação contra febre aftosa, o que não significa de maneira alguma que o Brasil tenha conquistado o status anunciado pelo MAPA.

O anúncio do novo "status" é apenas uma jogada de marketing do Governo Federal, que tenta flertar com o agronegócio. O anúncio autodeclaratório da evolução da situação sanitária do país não torna o país oficialmente livre do problema. A ação faz parte do processo para o reconhecimento internacional pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

A conquista que devia ser anunciada com orgulho é o fim do ciclo de vacinação, iniciado há mais de 50 anos, buscando o reconhecimento da qualidade da produção pecuária nacional e da qualidade do Serviço Veterinário Oficial. Mais de 244 milhões de bovinos e bubalinos em cerca de 3,2 milhões de propriedades deixarão de ser vacinados contra a doença, trazendo uma redução de custo direta, com a aplicação da vacina, de mais de R$ 500 milhões.

Mas Fávaro já desfruta do status autodeclarado. “É o início de um processo em que o Brasil troca de patamar com um grupo de elite sanitária mundial, que é muito mais difícil se manter nessa elite", afirmou o ministro na cerimônia. O Governo Federal quer trazer para si o mérito de uma conquista que é do mercado e dos pecuaristas, que buscam, diariamente melhorar cada vez mais sua anidade para atingir mercados muito exigentes e recompensadores, como o Japão, Coreia do Sul.

A última ocorrência da doença em território nacional foi em 2006, seguida da implementação de zonas livres, que deram sustentação ao desataque do país como líder mundial no comércio de proteína animal, em bases sustentáveis.

Se conseguir erradicar a febre aftosa e se consolidar como país livre da doença sem vacinação, o Brasil fortalecerá sua posição no mercado internacional, aumentando a confiança dos consumidores e dos parceiros comerciais na qualidade e na segurança dos produtos de origem animal brasileiros.

A REALIDADE

Somente Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e do Mato Grosso são reconhecidos pela OMSA como áreas livres de febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento foi feito durante o governo de Jair Bolsonaro, no dia 27 de maio de 2021, na 88ª Sessão Geral da Assembleia Mundial dos Delegados da OIE.

Desde 2007, Santa Catarina era o único Estado a ter esse reconhecimento. A meta do Brasil é ampliar esse status a todo o País até 2026.O reconhecimento internacional do status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação ao país é feito pela OMSA. Para isso, a Organização exige a suspensão da vacinação contra a febre aftosa e a proibição de ingresso de animais vacinados nos estados por, pelo menos, 12 meses.

LINHA DO TEMPO

  • 1895 – Primeiro registro oficial de febre aftosa no Brasil, na região do Triângulo Mineiro, Minas Gerais, em consequência da importação de animais da Europa.

  • 1909 – Reestruturação do Ministério da Agricultura.

  • 1950 – Realização da Primeira Conferência Nacional de Febre Aftosa e implantação do Primeiro Programa de Combate à Febre Aftosa no Brasil.

  • 1951 – Criação do Centro Pan Americano de Febre Aftosa (Panaftosa) sediado no Brasil, em decorrência do reconhecimento da necessidade de ações conjuntas entre os países do Continente americano no combate à doença.

  • 1963 – O Governo Federal instituiu, no âmbito do Ministério da Agricultura, a Campanha de Combate à Febre Aftosa – CCFA.

  • 1968 – Financiamento do Projeto Nacional de Combate à Febre Aftosa, financiado pelo BID.

  • 1972 – Criada a Comissão Sul-Americana para a Luta Contra a Frebre Aftosa – COSALFA, uma importante estratégia integradora de gestão e intervenção regional na luta contra a febre aftosa.

  • 1992 – Implantação do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa, com mudanças importantes nas bases estratégicas do programa, prevendo a ampla participação social, regionalização no combate à doença, vacinação sistemática de bovinos e búfalos e outras medidas.

  • 1998 – Primeiro reconhecimento de zona livre de febre aftosa com vacinação, pelo Escritório Internacional de Epizootias – OIE, envolvendo os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

  • 2006 – Última ocorrência de febre aftosa no Brasil, no Mato Grosso do Sul.

  • 2007 – Reconhecimento internacional da primeira zona livre de febre aftosa sem vacinação, contemplando o estado de Santa Catarina.

  • 2017 – O Mapa publica o Plano Estratégico do PNEFA, prevendo a suspensão completa da vacinação no País e o reconhecimento internacional de país livre de febre aftosa sem vacinação até 2026.

  • 2018 – Todo o país é reconhecido pela OIE como livre de febre aftosa.

  • 2021 – Reconhecimento internacional de três zonas livres de febre aftosa sem vacinação (RS, PR e bloco I, composto por RO, AC e parte do AM e MT.
  • 2024 - MAPA anuncia o fim da vacinação contra a febre aftosa em todos os Estados do Brasil, iniciado o processo de reconhecimento internacional pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).





Somente os estados de SC, RS, AC, RO e partes do AM e do MS têm o reconhecimento internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação pela OMSA

Estados brasileiros reconhecidos oficialmente como livres da febre aftosa sem vacinação

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