Mesmo com média acima da nacional, Estado pode ultrapassar 50 toneladas por hectare
A banana segue como a fruta mais consumida no Brasil, com consumo anual de 32 kg por habitante, segundo o IBGE. No Paraná, a produção ocupa 7.679 hectares, sendo 4.157 apenas no litoral. Com produtividade média de 19 toneladas por hectare, o Estado está acima da média nacional (15 t/ha), mas tem potencial para ultrapassar 50 toneladas por hectare com técnicas adequadas de manejo nutricional.
É o que mostra um estudo do IDR-Paraná em parceria com a Epagri (SC). A pesquisa destaca que práticas como análise de solo e análise foliar são essenciais para corrigir deficiências e otimizar o uso de fertilizantes, resultando em maior produtividade e rentabilidade.
Na primeira fase do projeto, foi feito um diagnóstico em propriedades da Região Metropolitana de Curitiba e do Litoral. A maioria dos produtores ainda baseia o manejo de adubação em experiências próprias, sem critérios técnicos. Já na segunda etapa, o IDR instalou 50 Unidades Demonstrativas (UDs) para acompanhamento técnico em áreas de 5 mil m². Nessas unidades, são aplicadas recomendações específicas de calagem, gessagem e adubação balanceada com macro e micronutrientes.
No Litoral, cinco técnicos acompanham de perto 46 dessas unidades. A iniciativa busca elevar a produtividade dos bananais com práticas simples, mas pouco adotadas, como análises químicas do solo e das folhas, medição da produtividade e diagnóstico da presença de nematoides.
O sistema agroecológico adotado inclui rotação de culturas, adubação verde, uso de bioinsumos e práticas dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), como a consorciação de bananeiras com maracujá e mandioca. A cobertura vegetal do solo contribui para a manutenção da umidade, da temperatura e dos microrganismos benéficos.
Para o produtor Celso Yamauti, o segredo está na paciência. “O sistema orgânico leva tempo, mas depois fica mais fácil de manejar e mais rentável. Só na Merenda, o preço pago por produtos orgânicos é 30% maior.”
Segundo José Aridiano Lima de Deus, coordenador do IDR-Paraná, as ações do projeto são simples, mas muitas vezes deixadas de lado. “Identificar os fatores que limitam a produção é o primeiro passo para melhorar a produtividade, seja em sistemas convencionais ou orgânicos”, resume.