O ritmo acelerado dos trabalhos de campo na principal praça produtora de hortaliças de Minas Gerais segue ditando a trajetória de desvalorização da cultura. Em São Gotardo, polo do Alto Paranaíba, as cotações da cenoura "suja" registram movimento contínuo de retração, tendência que se mantém consolidada desde o encerramento de agosto.
Segundo levantamento da equipe de Hortifrúti/Cepea(Cepea/Esalq-USP), as lavouras da safra de inverno ganharam forte velocidade de arranque após enfrentarem um início vagaroso em julho, decorrente de atrasos anteriores no calendário de semeadura. A regularização do cronograma agronômico concentrou as áreas de retirada, gerando um volume expressivo de produto pronto para expedição comercial no mesmo intervalo.
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A sanidade dos lotes colhidos também atuou diretamente para engordar a oferta líquida. O boletim técnico aponta que a incidência de raízes afetadas por patologias foliares e de solo — a exemplo de pinta-preta e mela — apresentou recuo na comparação semanal. As precipitações mais espaçadas criaram condições ambientais propícias para o manejo químico e preventivo, o que reduziu drasticamente o índice de refugo e ampliou a proporção de mercadoria comercializável que chega aos galpões de beneficiamento.
Outro vetor de pressão sobre as cotações decorre da estratégia de antecipação adotada pelos próprios horticultores. Receosos de que a aproximação de novas frentes de instabilidade climática volte a encharcar os solos e comprometa o padrão visual e comercial dos lotes, diversos produtores decidiram adiantar a colheita em talhões selecionados para assegurar a entrega de uma raiz limpa e sem defeitos físicos. Essa corrida preventiva inundou o atacado regional com um volume concentrado de mercadoria, desequilibrando a balança entre oferta e demanda e achatando a remuneração por saca na porteira.
