A atividade agropecuária voltou a atuar como a principal locomotiva da economia brasileira no segundo trimestre de 2026. Os dados consolidados do Produto Interno Bruto (PIB) nacional alcançaram o montante de R$ 3,43 trilhões, representando uma expansão de 0,5% na série com ajuste sazonal frente aos três meses antecedentes, além de uma alta de 2,0% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
De acordo com o boletim Radar Macroeconômico de setembro, divulgado pelo Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), a agropecuária avançou 2,8% no segundo trimestre, superando amplamente as taxas registradas pelos setores de Serviços e Indústria. Na métrica acumulada em 12 meses, o setor rural registra um crescimento de 6,8%, sustentado principalmente pela recuperação da pecuária de corte e de leite e pelos ganhos consistentes de produtividade nas colheitas de soja e café.
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O dinamismo do campo também gerou reflexos diretos nos indicadores de emprego. No trimestre encerrado em julho, a taxa de desocupação do país recuou para 5,3%, corte de 0,3 ponto percentual em termos anuais. Do contingente total de 103,3 milhões de brasileiros ocupados, o segmento agropecuário absorveu 7,9 milhões de trabalhadores, saldo que representa a criação líquida de aproximadamente 210 mil vagas no comparativo interanual.
O aquecimento do mercado de trabalho elevou o rendimento médio real habitual para R$ 3.762, alta real de 3,3%, o que catapultou a massa global de rendimentos ao recorde histórico de R$ 383,5 bilhões.
Alívio inflacionário, corte de juros e cenário fiscal
O desempenho da produção no campo continuou operando como âncora para os preços ao consumidor. O IPCA acumulado em 12 meses desacelerou para 4,22% em agosto de 2026, mês marcado por uma deflação geral de 0,32%. Entre as rubricas que puxaram o índice para o terreno negativo, o grupo Alimentação e Bebidas registrou recuo de 0,34%, acompanhado pelas quedas em Habitação (-1,87%) e Transportes (-0,86%). O recuo contínuo da inflação permitiu ao Banco Central reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 13,75% ao ano na reunião de setembro, um alívio inicial de 0,25 ponto percentual.
Nas contas externas, o balanço de pagamentos acusou um déficit em transações correntes de US$ 8,1 bilhões, piora frente ao saldo negativo de US$ 6,9 bilhões do mesmo mês de 2025. O resultado foi condicionado pela leve retração no superávit da balança comercial (de US$ 6,4 bilhões para US$ 6,2 bilhões) somada à pressão deficitária nas contas de serviços e renda primária.
Por fim, o quadro fiscal segue exigindo monitoramento rigoroso. Embora o setor público consolidado tenha apurado superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho de 2026 — contra rombo de R$ 66,6 bilhões em julho de 2025 —, o déficit primário acumulado em 12 meses permanece em R$ 89,3 bilhões, o equivalente a 0,67% do PIB brasileiro.
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