O mercado de insumos agropecuários no estado de São Paulo fechou o mês de agosto de 2026 com variações expressivas de preços, marcadas pela disparada em categorias voltadas à correção de solo, saúde e nutrição animal, em contraste com o alívio nas despesas com combustíveis. Os dados integram o relatório mensal do Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), formulado em parceria com o Projeto Campo Futuro (CNA/Esalq-USP).
O destaque altista do mês foi o corretivo calcítico sem PRNT (sacaria de 50 kg), que avançou 22,2% frente a julho. No segmento veterinário e de manejo de pastagem, registraram forte valorização a ivermectina 3% a 4% LA (+18%), o hormônio reprodutivo de 10 ml (+16,1%) e o sal proteinado com 18% de Proteína Bruta (embalagem de 30 kg), com acréscimo de 14,5%. A análise técnica aponta que a pressão decorre do encarecimento de matérias-primas importadas e da intensificação da demanda sazonal por protocolos sanitários e suplementação na entressafra do gado de corte.
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Na direção contrária, a cipermetrina 15% para pulverização registrou a principal queda mensal, recuando 17,7%. O concentrado para engorda com 18% de PB caiu 14,7%, acompanhado pelo sal nitrogenado de 30 kg (-13%) e pelo carrapaticida fluazuron pour-on (-11,6%).
Óleo diesel e etanol recuam nas bombas
Os derivados de petróleo e biocombustíveis proporcionaram alívio aos custos operacionais do parque de máquinas e da logística paulista. O etanol hidratado caiu 3,4% em agosto, cotado a R$ 3,66 por litro. O óleo diesel recuou 1,8%, fechando a média estadual em R$ 6,50 por litro, enquanto o litro da gasolina baixou 1,1%, para R$ 6,39.
Segundo o Departamento Econômico da Faesp, a desaceleração nos combustíveis reflete a ampla oferta de etanol no auge da moagem sucroenergética, o repasse gradual das quedas do barril de petróleo no mercado exterior e medidas governamentais de desoneração.
Vacina acumula salto de 219% em 12 meses
No balanço anualizado (agosto de 2025 contra agosto de 2026), o levantamento da Faesp evidencia uma trajetória inflacionária persistente no campo. A maior elevação do período foi apurada na vacina contra clostridiose (sete cepas de Clostridium, frasco de 250 ml), cujo preço acumulou uma disparada de 219,7%. Na mesma base, a versão de 100 ml do mesmo imunizante subiu 55,8%.
Outros avanços severos em 12 meses atingiram o sal nitrogenado 40% PB (+61,5%) e a cipermetrina de um litro (+46,8%). No extremo oposto, registraram alívio no ano o arame galvanizado para cerca elétrica de 500 metros (-22,2%), o mata-bicheira tópico (-21,9%), o fluralaner pour-on de 5 litros (-18,9%) e a ivermectina 1% (-18,2%). No cômputo geral, a elevação generalizada de itens de uso contínuo reforça a pressão sobre a margem líquida da pecuária e da agricultura paulistas.
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